CENÁRIO ELEITORAL

Pressão de candidatos sobre o STF incomoda ministros e expõe divergências internas

Corte é alvo de menções recorrentes na campanha presidencial, e ministros divergem sobre como responder aos ataques.

Por Sputinik Brasil Publicado em 04/05/2026 às 21:41
Ministros do STF divergem sobre reações a ataques de candidatos durante o período eleitoral. © Antônio Augusto / Supremo Tribunal Federal

O protagonismo recente do Supremo Tribunal Federal (STF) no noticiário nacional transformou a Corte em tema frequente entre os candidatos à Presidência da República, independentemente do espectro político. Segundo a imprensa brasileira, ministros do STF demonstram incômodo com as citações, mas adotam posturas diferentes diante dos ataques.

De acordo com reportagem do Estadão, os magistrados já previam que o STF se tornaria pauta entre os presidenciáveis neste ano eleitoral, especialmente após figuras como Alexandre de Moraes ganharem destaque no último quadriênio em Brasília.

Ainda que a preocupação seja compartilhada, há divisão entre os ministros sobre como reagir às menções feitas por candidatos. Magistrados mais próximos ao presidente do STF, Edson Fachin, defendem que a Corte mantenha discrição durante o processo eleitoral, respondendo apenas a ataques considerados mais graves.

Por outro lado, ministros com atuação mais política, como Gilmar Mendes e Flávio Dino, preferem se manifestar publicamente, utilizando artigos e postagens em redes sociais. Esse grupo pressiona para que Fachin adote uma postura mais enfática na defesa institucional do Supremo.

Recentemente, o STF foi envolvido em uma crise institucional após o caso do Banco Master ser encaminhado ao ministro Dias Toffoli. Relator do processo, Toffoli mantinha relações que o conectavam ao dono do banco, Daniel Vorcaro. O escritório da esposa de Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, também prestou serviços à instituição financeira.

Nos últimos quatro anos, o STF teve papel central em decisões como a resolução dos atos do 8 de Janeiro, que resultou na condenação de mais de 1.400 manifestantes. A Corte também julgou o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados por tentativa de golpe de Estado, com penas superiores a 20 anos de prisão.