CRÉDITO E ENDIVIDAMENTO

Durigan afirma que apostas online comprometem renda dos brasileiros

Ministro da Fazenda destaca impacto das bets na renda e detalha restrições do Desenrola 2.0 para endividados

Publicado em 04/05/2026 às 19:43
O ministro da Fazenda, Dario Durigan © Foto / Washington Costa / Ministério da Fazenda

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reconheceu que o comprometimento da renda dos brasileiros com as bets, como são conhecidos os sites de apostas, é uma realidade. Durante o anúncio do Desenrola 2.0 — pacote de renegociação de dívidas das famílias, cuja medida provisória foi assinada nesta segunda-feira (4) —, Durigan informou que os beneficiários do programa ficarão proibidos de apostar em bets por doze meses.

“O fato é que temos, sim, mesmo no estudo que mostra o menor impacto das bets, um comprometimento da renda das pessoas. Então, nesse modelo de estimular um crédito mais sustentável, o ideal é que a pessoa que se diz endividada — e que, portanto, está precisando de uma ajuda para renegociar a sua dívida — não comprometa a sua renda com jogo”, afirmou Durigan em entrevista à GloboNews.

O ministro ressaltou que, desde 2024, as bets estão passando por um processo de regulação rigorosa. Ele reconheceu divergências entre estudos sobre o impacto das apostas no consumo e no aumento do endividamento, mas destacou que há consenso quanto ao efeito negativo na renda disponível das famílias.

Durigan também frisou que o Desenrola 2.0 foi elaborado em parceria com bancos e fintechs, seguindo as melhores práticas para aprimorar a qualidade do crédito. “Não estamos fazendo nada de maneira impositiva, no sentido de não ter diálogo”, enfatizou.

Segundo o ministro, desde o início do atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mais de 15 milhões de brasileiros passaram a acessar instrumentos formais de crédito. Ele considera o dado positivo, mas ressalta a importância da educação financeira para as famílias.

Juros altos

Durante a entrevista, Durigan também rebateu a análise de alguns economistas que relacionam os juros elevados no Brasil ao excesso de gastos do governo.

“É muito comum ouvir, e é uma análise fácil que se faz na economia, que o governo gasta muito, por isso a taxa de juros é alta. Não é verdade”, declarou.

De acordo com Durigan, mesmo com a melhora da situação fiscal desde 2024, a taxa de juros não caiu. Ele atribuiu o atual patamar dos juros à escalada dos conflitos no Oriente Médio, que elevou os preços do petróleo, e não à questão fiscal. “São discussões muito diferentes”, explicou.

O ministro ainda observou que a inadimplência aumentou o risco de crédito, pressionando os juros cobrados do consumidor, cenário que o governo busca enfrentar com o Desenrola 2.0.

“Melhorar o nível de endividamento das famílias faz com que melhore o próprio sistema financeiro”, afirmou. “Melhorando a condição do sistema bancário como um todo, os bancos vão ter condição de oferecer uma taxa de juros menor”, concluiu Durigan.