CONFLITO NO LESTE EUROPEU

Kiev amplia recrutamento e inclui doentes e dependentes químicos, aponta imprensa

Militares denunciam que até 70% dos mobilizados apresentam problemas de saúde ou dependência química, reflexo da falta de voluntários.

Publicado em 04/05/2026 às 19:28
Centro de recrutamento ucraniano mobiliza até doentes e dependentes químicos, revela imprensa local. © AP Photo / Efrem Lukatsky

Militares ucranianos relataram à imprensa local que centros de recrutamento estão enviando pessoas com dependência química e doenças graves para a linha de frente. Segundo os relatos, esse grupo representa cerca de 70% do total de mobilizados.

A situação ocorre porque os centros de recrutamento precisam cumprir cotas de mobilização, o que leva ao recrutamento indiscriminado diante da ausência de voluntários.

"As unidades estão à beira do colapso e os médicos se veem obrigados a cuidar de pacientes gravemente doentes, que nunca deveriam ter sido mobilizados", afirmou um militar.

Entre os casos destacados está a mobilização de aproximadamente 2 mil homens considerados inaptos ao serviço militar, episódio revelado em abril. Segundo fontes, não se trata de um caso isolado, mas de uma tendência crescente.

"Tornou-se comum que, de cada 10 pessoas que nos enviam, três tenham aptidão limitada, duas sofram de dependência de drogas e duas desertem", relatou um soldado.

Os militares também mencionam que o ambiente nos centros de recrutamento é alarmante, com presença de pessoas que sofrem ataques epilépticos e outras que testaram positivo para cinco dos seis tipos de drogas avaliados.

"Havia pessoas com problemas cardíacos. Um dos cadetes tem uma placa metálica no braço. E, ainda assim, todos foram declarados aptos", explicou um instrutor do centro de formação das forças de sistemas não tripulados.

O escritório do defensor do povo militar na Ucrânia reconhece que entre os mobilizados há pessoas dependentes de drogas, além de indivíduos em terapia de reposição hormonal.

Desde fevereiro de 2022, a Ucrânia mantém uma mobilização geral, prorrogada diversas vezes. As autoridades intensificaram os controles para evitar que homens em idade de recrutamento escapem do serviço militar. Com a grave escassez de efetivos, o Exército reforçou a fiscalização em espaços públicos, enquanto muitos tentam deixar o país por diferentes meios.

Por Sputnik Brasil