ASTRONOMIA

Cientistas identificam 27 possíveis novos planetas em sistema com duas estrelas

Descoberta amplia o número de potenciais planetas circumbinários e pode mudar entendimento sobre sistemas solares duplos

Publicado em 04/05/2026 às 19:00
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Astrônomos anunciaram a descoberta de 27 novos potenciais planetas orbitando sistemas com duas estrelas, fenômeno semelhante ao planeta desértico Tatooine, do universo Star Wars. O anúncio foi feito nesta segunda-feira, 4 de maio, data conhecida como o "Dia Star Wars" entre os fãs da saga.

Até o momento, apenas 18 planetas circumbinários — que orbitam dois sóis — haviam sido oficialmente identificados no universo. Em contraste, mais de seis mil planetas já foram descobertos orbitando estrelas solitárias, como a Terra em relação ao Sol.

Os novos candidatos a planetas estão localizados a distâncias que variam de 650 a 18 mil anos-luz da Terra.

"Na astronomia, muitas coisas não são muito tangíveis", afirmou Ben Montet, da Universidade de New South Wales, principal autor do estudo, em entrevista ao jornal britânico The Guardian. "Mas graças à famosa cena do pôr do sol em Tatooine, no primeiro filme de Star Wars, todo mundo tem uma ideia do que é um planeta circumbinário e como seria estar em um planeta com dois sóis."

Segundo os cientistas, mais da metade das estrelas do universo existem em sistemas binários ou até mesmo em sistemas com mais de duas estrelas. Tradicionalmente, a identificação de planetas em sistemas binários ocorria por meio da observação de seu trânsito — ou seja, quando passam em frente às estrelas, criando uma sombra e diminuindo o brilho observado da estrela.

"Quando isso acontece", explica Montet, "vemos um aprofundamento do brilho da estrela, o que nos permite inferir a presença de outro corpo ao redor dela".

No entanto, esse método só funciona quando planeta e estrela estão perfeitamente alinhados com a Terra. "Potencialmente, estamos perdendo muitos sistemas", ressalta Montet. "É difícil encontrar novos planetas; é como tentar localizar uma vela ao lado de um poste de luz."

Desta vez, os pesquisadores utilizaram uma técnica diferente: buscaram oscilações no brilho de estrelas que eclipsam umas às outras.

"Se conseguirmos monitorar o exato momento desses eclipses, eles indicam que algo está acontecendo naquele sistema", explicou Margo Thornton, coautora do estudo.

Após descartar outros fatores capazes de causar o mesmo efeito, a equipe identificou 36 sistemas solares — entre 1.590 analisados — cujo comportamento só poderia ser explicado pela presença de um terceiro corpo.

"Para 27 desses objetos, é possível que sejam massas planetárias", afirmou Thornton, acrescentando que mais estudos são necessários para confirmar a existência desses planetas circumbinários.

A descoberta foi possível graças a dados de um programa da Nasa voltado especificamente para a busca de exoplanetas, ou seja, planetas localizados fora do Sistema Solar.

Sara Webb, astrônoma da Universidade de Tecnologia de Swinburne, que não participou da pesquisa, elogiou a técnica empregada e destacou seu potencial para revelar ainda mais planetas no futuro.

De acordo com Webb, planetas circumbinários tendem a apresentar ambientes extremos, diferentes daqueles encontrados em nosso Sistema Solar. "Mas um planeta como Tatooine poderia, potencialmente, existir naquele exato ponto entre as órbitas das duas estrelas — que não é nem muito quente, nem muito frio."

Webb lembra ainda que, quando o primeiro filme Star Wars foi lançado, os cientistas sequer sabiam da existência de exoplanetas. "Muitas ideias previstas na arte ou em conceitos artísticos sobre o universo acabaram se tornando descobertas científicas", disse.