Lula lança Novo Desenrola e alerta: 'Renegociar dívida não é licença para apostar em bet'
Programa amplia renegociação de dívidas para quem ganha até cinco salários mínimos e restringe apostas online a beneficiários
O governo federal lançou nesta segunda-feira (4) o Novo Desenrola Brasil, programa que amplia a renegociação de dívidas para quem ganha até cinco salários mínimos e tem débitos atrasados entre 90 dias e dois anos, contratados até janeiro de 2026. A iniciativa oferece descontos de até 90% e limita os juros a 1,99% ao mês, abrangendo dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal.
Para participar, os interessados devem procurar os canais oficiais dos bancos. O programa foi estruturado em quatro frentes: famílias, Fies, empresas e agricultores, sendo a linha para famílias a principal, com acesso simplificado para trabalhadores na faixa de renda estipulada.
Uma das novidades é a possibilidade de usar até 20% do saldo do FGTS — ou, no mínimo, R$ 1 mil — para quitar dívidas, com previsão de liberar até R$ 8,2 bilhões aos trabalhadores. O valor será transferido diretamente da Caixa ao banco credor, evitando desvios. Além dos débitos tradicionais, será possível renegociar dívidas do Fies.
Os descontos variam de 30% a 90% do valor principal, conforme a linha de crédito e o prazo. Para facilitar o acesso, será disponibilizada uma calculadora para simulação dos abatimentos. O pacote faz parte de um esforço mais amplo do governo para reduzir o endividamento da população, anunciado pelo presidente Lula na semana anterior.
Para garantir a efetividade das renegociações, será criado um fundo garantidor com recursos públicos, formado por valores esquecidos em bancos — entre R$ 5 bilhões e R$ 8 bilhões — e um aporte adicional de até R$ 5 bilhões da União. Como contrapartida, quem aderir ao programa ficará impedido de apostar em plataformas online por um ano.
O endividamento "é uma prática de uma grande parcela do povo brasileiro. E é muito bom que o povo tenha a capacidade de se endividar [...], mas com muita responsabilidade [...]. É importante a gente estar chamando a atenção, para que as pessoas façam suas dívidas e não percam de vista as suas condições de pagamento", disse Lula.
Dados do Banco Central indicam que 117 milhões de brasileiros estavam endividados com instituições financeiras no final de 2024, evidenciando a gravidade do problema.
Durante o lançamento do programa, o presidente ressaltou: "o que não pode é renegociar a dívida e continuar perdendo dinheiro apostando em bet", reforçando o caráter educativo da medida.
O anúncio ocorre em meio a um cenário político delicado para o governo, que enfrenta resistência no Congresso e dificuldades para avançar em pautas estruturais. Diante desse contexto, o Planalto tem priorizado medidas econômicas de impacto imediato e visível para a população.
Internamente, ações como a renegociação de dívidas e a retirada de restrições no CPF são vistas como estratégias para recuperar apoio entre eleitores mais afetados pelo endividamento, reduzir a dependência de negociações legislativas e fortalecer a imagem de reconstrução econômica e social que o governo pretende apresentar nas eleições de 2026.
Por Sputnik Brasil