CONFLITO NO LESTE EUROPEU

Rússia declara cessar-fogo unilateral na Ucrânia para marcar 'Dia da Vitória'

Medida ocorre em meio às comemorações do 81º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial e inclui ameaças de retaliação caso festividades sejam interrompidas pela Ucrânia.

Publicado em 04/05/2026 às 17:33
© Sputnik / Ministério da Defesa da Rússia

O Ministério da Defesa da Rússia anunciou um cessar-fogo unilateral na Ucrânia para os dias 8 e 9 de maio, em alusão ao 81º aniversário da derrota da Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial. A medida visa permitir a realização do 'Dia da Vitória', o feriado secular mais importante da Rússia. No entanto, Moscou advertiu que retaliará caso a Ucrânia tente interromper as festividades.

Em comunicado divulgado nesta segunda-feira, 4, o Ministério da Defesa russo afirmou esperar que a Ucrânia "siga o exemplo" e também adote o cessar-fogo. Até o momento, autoridades ucranianas não se pronunciaram sobre o anúncio.

Na semana passada, o tradicional desfile militar na Praça Vermelha, em Moscou, foi suspenso devido a temores de ataques ucranianos. A Ucrânia tem realizado operações com drones em território russo como parte da resistência à invasão, que já dura mais de quatro anos.

O Ministério da Defesa russo alertou que, se houver tentativas de interromper as comemorações, Moscou responderá com um "ataque maciço com mísseis contra o centro de Kiev". O comunicado também orientou civis e funcionários de missões diplomáticas estrangeiras a deixarem a capital ucraniana imediatamente.

Durante anos, o Kremlin utilizou o desfile do Dia da Vitória para exibir seu poderio militar e reforçar o orgulho nacional. Neste ano, porém, o evento em Moscou ocorrerá sem tanques, mísseis ou outros equipamentos militares pela primeira vez em quase duas décadas. Alguns desfiles menores em outras regiões foram cercados por muros ou cancelados por questões de segurança.

A Segunda Guerra Mundial permanece um raro ponto de consenso na história russa sob o regime comunista. A União Soviética perdeu cerca de 27 milhões de pessoas na chamada Grande Guerra Patriótica (1941-1945), um sacrifício que deixou marcas profundas na sociedade.

O presidente Vladimir Putin, há mais de 25 anos no poder, transformou o Dia da Vitória em um dos pilares de seu governo, utilizando a data para justificar a guerra na Ucrânia. No ano passado, a comemoração do 80º aniversário atraiu a Moscou o maior número de líderes mundiais em uma década, incluindo o presidente chinês Xi Jinping, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro eslovaco Robert Fico.

Putin havia declarado um cessar-fogo unilateral de 72 horas a partir de 7 de maio de 2025, e as autoridades chegaram a bloquear a internet móvel em Moscou por vários dias para evitar ataques de drones ucranianos.

O Dia da Vitória é um evento histórico reverenciado por todos os setores políticos russos no período pós-soviético. Desde 2023, a Ucrânia passou a celebrar a vitória de 1945 em 8 de maio, alinhando-se à tradição dos países ocidentais e se distanciando da data russa.