CRISE NO SETOR AÉREO

Empresas aéreas reduzem voos e aumentam tarifas diante da escassez de combustível

União Europeia intensifica ações para evitar desabastecimento e proteger passageiros diante da alta dos custos

Publicado em 04/05/2026 às 14:23
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A crise global de combustíveis de aviação levou a União Europeia (UE) a intensificar a coordenação com governos e companhias aéreas, enquanto o setor amplia cortes de voos, eleva tarifas e revisa projeções diante da disparada de custos.

A Comissão Europeia informou que está trabalhando com países-membros e representantes da indústria para lidar com a incerteza sobre a duração da crise. "Ninguém sabe quanto tempo isso vai durar", afirmou a porta-voz Anna-Kaisa Itkonen, segundo a agência Anadolu.

O órgão prepara diretrizes que devem incluir regras para evitar abastecimento excessivo, garantir os direitos dos passageiros e permitir o uso de combustíveis do padrão norte-americano, com recomendações técnicas da Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA).

Desde o início do conflito envolvendo o Irã, o preço do combustível de aviação dobrou. Segundo o Financial Times, companhias aéreas retiraram cerca de 2 milhões de assentos da oferta global em maio, com milhares de voos cancelados e maior utilização de aeronaves menores ou mais eficientes.

Entre as principais empresas, a Lufthansa cancelou 20 mil voos até outubro, enquanto a Delta reduziu sua capacidade em cerca de 3,5% no segundo trimestre. A Air France-KLM aumentou tarifas e ajustou operações, e a KLM suspendeu mais de 150 voos na Europa. A SAS cancelou cerca de 1 mil voos em abril, e a Air Canada cortou frequências para Nova York.

As companhias também têm recorrido a aumentos de preços e sobretaxas. A United Airlines avalia elevar tarifas em até 20%, enquanto American Airlines, Delta e JetBlue reajustaram taxas de bagagem. Empresas como China Eastern e Cathay Pacific elevaram sobretaxas de combustível, e a Qantas revisou para cima seus gastos com querosene, segundo o The Independent.

Algumas operadoras tentam limitar o repasse ao consumidor. A Ryanair afirmou que não pretende aplicar sobretaxas, enquanto a EasyJet garantiu que não cobrará custos adicionais em pacotes já vendidos, embora tenha alertado para impacto nos resultados.

Governos também adotam medidas para mitigar os efeitos. O Reino Unido solicitou que refinarias maximizem a produção, enquanto a Comissão Europeia propôs otimizar a distribuição de combustível entre os países do bloco para evitar o desabastecimento.