MERCADO FINANCEIRO

Bolsas europeias fecham em baixa diante de tensões comerciais e geopolíticas

Temores de novas tarifas entre EUA e UE e incertezas no Oriente Médio pressionam mercados; setor automotivo lidera quedas.

Publicado em 04/05/2026 às 13:33
Bolsas europeias Reprodução

As bolsas europeias encerraram o pregão desta segunda-feira (4) em queda, influenciadas por preocupações com uma possível escalada comercial entre Estados Unidos e União Europeia, além de incertezas geopolíticas crescentes no Oriente Médio. A ameaça de novas tarifas sobre automóveis aumentou a aversão ao risco, enquanto a alta do petróleo intensificou os receios inflacionários. Investidores também reagiram a sinais de uma política monetária mais restritiva na zona do euro.

Em Frankfurt, o DAX registrou baixa de 1,06%, fechando a 24.035,56 pontos. O CAC 40, de Paris, recuou 1,71%, para 7.976,12 pontos. Em Milão, o FTSE MIB cedeu 1,59%, atingindo 47.478,13 pontos. O Ibex 35, de Madri, caiu 2,59%, a 17.320,40 pontos, enquanto o PSI 20, de Lisboa, fechou em queda de 1,89%, a 9.168,05 pontos. As cotações são preliminares. A bolsa de Londres não operou devido a um feriado bancário local.

Entre os indicadores, o índice de gerentes de compras (PMI) da zona do euro subiu para 52,2 em abril, atingindo o maior nível em 47 meses e sinalizando resiliência da indústria manufatureira. Apesar disso, dirigentes do Banco Central Europeu (BCE) reforçaram o tom de cautela: François Villeroy de Galhau (França) defendeu uma postura "prudente, mas vigilante", enquanto Peter Kazimir (Eslováquia) afirmou que um aumento dos juros em junho é "praticamente inevitável".

O setor automotivo europeu foi destaque negativo, com retração de quase 2,3% após o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçar elevar tarifas sobre veículos a 25%. Entre as montadoras, Continental caiu cerca de 0,5%, enquanto Mercedes-Benz e Volkswagen recuaram mais de 3% e 2%, respectivamente. A BMW também teve queda próxima de 2,7%. Analistas da Bernstein avaliam que a União Europeia pode tentar conter as ameaças tarifárias acelerando um acordo industrial, em meio a críticas sobre a demora do bloco em cumprir compromissos. Já a federação industrial alemã (BDI) alertou para os riscos das medidas "punitivas" de Washington ao setor automotivo.

No segmento industrial, a Thyssenkrupp recuou cerca de 2,5% após suspender negociações com a indiana Jindal para a venda de uma fatia de sua unidade siderúrgica. Na contramão, a Nokia avançou 7% após anunciar, na semana passada, um acordo para vender parte de seu negócio de banda larga sem fio à Inseego, em estratégia para focar em infraestrutura de redes e inteligência artificial.