COMÉRCIO INTERNACIONAL

Greer prevê conclusão de investigação comercial dos EUA nos próximos meses

Processo pode impactar Brasil e outros 58 mercados; foco está em práticas desleais e tarifas

Publicado em 04/05/2026 às 13:24
Jamieson Greer Reprodução / Instagram

O representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, afirmou que espera concluir, já no verão do Hemisfério Norte, as investigações comerciais abertas pelo governo americano, que podem afetar o Brasil. Ele destacou a importância da arrecadação com tarifas: "Ainda há uma quantidade significativa de receita tarifária entrando", afirmou em entrevista à CNBC, sem citar países específicos.

As apurações, conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 — instrumento que permite aos EUA investigar e reagir a práticas estrangeiras consideradas desleais —, foram abertas em março e abrangem o Brasil, a União Europeia (UE) e outros 58 mercados. O foco inclui possíveis práticas como a entrada de bens produzidos com trabalho forçado e, em alguns casos, excesso de capacidade industrial, que, segundo Washington, podem prejudicar empresas americanas.

As investigações foram iniciadas após o revés sofrido pelo governo de Donald Trump na Suprema Corte americana, que considerou ilegal o tarifaço recíproco aplicado pelo então presidente contra vários países em abril do ano passado.

Desde o anúncio das apurações, o USTR tem sinalizado intenção de acelerar o processo, promovendo consultas a governos estrangeiros e coletando contribuições públicas antes de eventuais medidas. Em março, Greer já havia declarado que a investigação poderia avançar "em questão de meses", com possibilidade de quantificar danos ao comércio dos EUA e adotar respostas, incluindo tarifas.

A iniciativa ocorre após reveses judiciais a parte das tarifas anteriores e é vista como uma tentativa de estabelecer base legal mais robusta para novas medidas comerciais. Países afetados já reagiram anteriormente: a China classificou a investigação como "unilateral", enquanto economias asiáticas contestaram premissas sobre capacidade produtiva e saldos comerciais.