ECONOMIA

Abegás alerta para possível reajuste de até 40% no gás natural pela Petrobras em agosto

Associação destaca influência de fatores geopolíticos e cobra indexação doméstica para o preço do insumo

Publicado em 04/05/2026 às 13:07
Abegás

A Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás) emitiu um alerta sobre o reajuste do gás natural previsto pela Petrobras para 1º de agosto, que pode chegar a 40%. O aviso ocorre após o aumento de 19,2% aplicado em 1º de maio, seguindo o calendário trimestral de reajustes da empresa.

A entidade manifesta preocupação com os impactos da guerra no Oriente Médio sobre as tarifas do gás natural no Brasil e alerta para o risco de novos aumentos no futuro.

“Apesar de o Brasil possuir relevante produção em campos nacionais, com mais de 65 milhões de metros cúbicos por dia de gás natural disponibilizados ao mercado em fevereiro deste ano, segundo o último boletim da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), e de esse volume ser integralmente destinado ao consumo interno, sem exportação, é questionável que o País continue exposto a efeitos geopolíticos”, afirmou o diretor-executivo da Abegás, Marcelo Mendonça, em nota.

Para Mendonça, “o Brasil não deveria estar exposto a esses impactos” e defende que o preço do gás natural adote indexadores que reflitam a realidade do mercado doméstico.

O executivo também cobrou isonomia em relação a combustíveis concorrentes, especialmente os mais poluentes, e criticou benefícios concedidos a outras fontes energéticas por meio de isenções, “em detrimento do gás natural”.

A Abegás reforçou que as tarifas são recalculadas periodicamente pelas agências reguladoras estaduais, em processos autônomos e transparentes, que consideram a variação da molécula e as características de cada segmento consumidor.

“Esse cálculo, que pode variar conforme o segmento (industrial, residencial, comercial, veicular etc.), leva em conta não só a variação do preço da molécula, mas também as especificidades de cada distribuidora, sendo um processo autônomo, independente e transparente realizado pela agência reguladora”, explicou Mendonça.

Segundo a associação, as distribuidoras operam no sistema de repasse integral (“pass-through”), sem obter ganhos com a alta do insumo, e não determinam o preço final do Gás Natural Veicular (GNV) nos postos, responsabilidade das empresas que administram esses estabelecimentos.