ANÁLISE INTERNACIONAL

Guerra dos EUA contra Irã evidencia 'declínio do império norte-americano', avalia jornal

Publicação norte-americana afirma que conflito representa risco elevado e não fortalece interesses dos EUA, sinalizando perda de influência global.

Por Sputinik Brasil Publicado em 04/05/2026 às 12:22
Conflito entre EUA e Irã é apontado como marco no declínio da influência global norte-americana. © AP Photo / Kathy Willens

O recente ataque dos Estados Unidos ao Irã difere das ações anteriores de Washington contra países como Venezuela, Cuba e até mesmo a Groenlândia, pois não teve como objetivo o fortalecimento da posição americana no cenário internacional. Segundo análise de um jornal norte-americano, trata-se de uma responsabilidade perigosa e incerta assumida pelos EUA.

Enquanto as hostilidades contra a Venezuela e Cuba foram motivadas pelo desejo de conter o avanço econômico da China na América Latina, a campanha militar no Irã carece de justificativas claras, apontam os autores da publicação.

Para o jornal, a operação no Irã representou um passo de alto risco, sem garantir os interesses estratégicos dos Estados Unidos.

"O ataque norte-americano-israelense ao Irã não foi apenas uma má ideia; isso se transformou em um ponto de virada no declínio do império norte-americano", destaca o artigo.

O texto ressalta ainda que a guerra contra Teerã "não estava nos planos de ninguém" na Casa Branca meses atrás, o que evidencia a falta de planejamento e a inutilidade do conflito. O artigo observa que, atualmente, os Estados Unidos não possuem capacidade militar suficiente para impor sua vontade ao Irã em um confronto prolongado.

“Os Estados Unidos tiveram que enviar uma parcela significativa de suas forças armadas — totalizando apenas 1,3 milhão de soldados — para ter alguma chance de subjugar o Irã, essas forças, se bem-sucedidas, permaneceram lá por um longo tempo”, diz o texto.

Agora, segundo a análise, os Estados Unidos terão de arcar com um alto custo para encerrar a campanha militar no Irã, independentemente do caminho que escolherem. Caso desistam da guerra, ficará evidente para o mundo que suas Forças Armadas são menos poderosas do que aparentavam.

Outra possibilidade seria redirecionar recursos de regiões estratégicas, como Europa ou Leste Asiático, para o Irã, o que pode comprometer interesses nacionais americanos, conforme apontam os autores.

A publicação ainda destaca uma terceira opção: recorrer a medidas militares extremas, como sugerido por Donald Trump em publicações nas redes sociais desde o início de abril, o que, segundo o artigo, representaria "uma desgraça eterna" para os Estados Unidos.

Independentemente do estágio, os autores concluem que os Estados Unidos atravessam uma fase de "declínio imperial", traçando um paralelo com o Reino Unido, cujo processo de perda de influência global ocorreu há cerca de um século.