ECONOMIA E CIDADANIA

Lula lança Desenrola 2.0 e critica exclusão de endividados pelo mercado

Presidente afirma que negativação por dívidas pequenas transforma cidadãos em 'clandestinos' e incentiva a agiotagem

Publicado em 04/05/2026 às 12:11
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva Ricardo Stuckert/PR

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), criticou nesta segunda-feira (4), durante o lançamento do Novo Desenrola Brasil, a postura das instituições financeiras que negativam cidadãos por dívidas de até R$ 200. Segundo Lula, ao terem o nome incluído nos cadastros de inadimplentes, essas pessoas acabam sendo tratadas como 'clandestinos' pelo sistema financeiro.

"Não é correto um cidadão estar com o nome sujo no Serasa por conta de uma dívida de R$ 100, R$ 150, R$ 200, não tem lógica isso. O mercado transforma esse cidadão em um clandestino porque ele não pode mais comprar nada, não pode mais ter conta no banco. Ele vira um freguês na bandidagem e da agiotagem", afirmou o presidente durante a solenidade de assinatura da Medida Provisória do Novo Desenrola.

Lula ressaltou ainda a importância da população ter acesso ao crédito, mas alertou para os riscos do endividamento sem planejamento. “É maravilhoso que a gente queira comprar uma coisa, mas é tão importante que a gente esteja chamando a atenção para que as pessoas façam as suas dívidas e não percam de vista as suas condições de pagamento”, enfatizou.

O Novo Desenrola

O programa prevê descontos de 30% a 90% no valor das dívidas para os beneficiários, além da possibilidade de saque de até 20% do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e juros limitados a 1,99% ao mês.

Lula já havia detalhes antecipados do Novo Desenrola em pronunciamento na véspera do Dia do Trabalhador. O programa poderá ser utilizado para renegociar dívidas de cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal, rotativo e também do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

Restrições a apostas

No discurso, Lula destacou que os beneficiários do programa não poderão acessar plataformas de apostas online por um ano. “Vamos fazer tudo isso com Fundo Garantidor, mas vocês não podem jogar em aposta”, alertou o presidente.