Ibovespa oscila próximo à estabilidade em meio a tensões externas e agenda econômica
Índice é pressionado por queda de blue chips e cautela internacional, enquanto investidores acompanham agenda de indicadores e política monetária.
O Ibovespa iniciou a semana em alta nesta segunda-feira (4), alcançando a máxima de 187.666 pontos, com avanço de 0,18%. No entanto, os ganhos foram limitados durante a manhã devido à queda das ações de blue chips como Vale e Petrobras, mesmo diante da valorização do petróleo no mercado internacional.
Por volta das 11h50, o principal índice da Bolsa brasileira operou em nível baixo de 0,18%, aos 186.971 pontos, refletindo o aumento das contribuições no Oriente Médio. O ambiente externo segue cauteloso, com as bolsas de Nova York sem direção definida e as europeias em queda.
No cenário internacional, os preços do petróleo dispararam, com o Brent superando US$ 110 por barril, impulsionados pelas incertezas geopolíticas e pela falta de avanços nas negociações entre Estados Unidos e Irã. O temor quanto à oferta global de energia mantém o caminho da cautela nos mercados. Relatos de que um navio de guerra dos EUA teria sido atingido ao tentar entrar no Estreito de Ormuz — posteriormente negados — aumentaram a volatilidade e fortaleceram a percepção de risco.
No Brasil, o desempenho do Ibovespa também é influenciado pela agenda relevante desta semana. Os investidores acompanham a divulgação da ata do Copom, após o recente corte da Selic para 14,50%, além de dados de atividade e inflação no Brasil e no exterior. Nos Estados Unidos, o destaque fica para o folha de pagamento de abril, que pode sinalizar os próximos passos do Federal Reserve (Fed).
No cenário doméstico, o noticiário político e econômico permanece no radar, embora com menor peso no momento.
Entre as novidades, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta segunda-feira a Medida Provisória do Novo Desenvolvimento Brasil, programa de renegociação de dívidas que prevê descontos entre 30% e 90%, possibilidade de saque de até 20% do FGTS e juros limitados a 1,99%.
No campo macroeconômico, os dados mais recentes apontam para expectativas inflacionárias pressionadas e atividade econômica fragilizada. A mediana do relatório Focus para o IPCA de 2026 subiu pela oitava semana consecutiva, de 4,86% para 4,89%, distanciando-se do teto da meta do Banco Central, de 4,50%. Para a Selic no final de 2026, a projeção foi mantida em 13,00%, mesmo após o corte promovido pelo Copom.
Os indicadores recentes apresentam sinais mistos: o IPC-S desacelerou para 0,88% em abril, acumulando alta de 3,83% em 12 meses, enquanto o Índice de Confiança Empresarial (ICE) recuperou 1 ponto, para 90,6 pontos, na terceira queda consecutiva.
A temporada de balanços corporativos ganha força nesta semana, com destaque para os resultados de bancos como Itaú Unibanco e Bradesco.