MERCADO FINANCEIRO

Dólar perde força diante de alta do petróleo, que ameniza pressão externa

Moeda americana oscila com valorização do petróleo e incertezas geopolíticas no Oriente Médio, enquanto Focus aponta alta nas projeções de inflação.

Publicado em 04/05/2026 às 09:44
Dólar perde força diante de alta do petróleo, que ameniza pressão externa Reprodução

O dólar passou a semana oscilando e chegou a operar próximo da estabilidade na manhã desta segunda-feira (4), influenciado pela valorização do petróleo Brent acima de US$ 110 o barril. O movimento favorece os termos de troca dos exportadores brasileiros, ao mesmo tempo em que a moeda americana tenta avançar em meio à pressão externa.

Os juros futuros também registraram uma ruptura, acompanhando o comportamento do dólar e o aumento dos rendimentos dos Treasuries. O cenário é impactado pela manutenção do fluxo restrito de navegação no Estreito de Ormuz e pelas incertezas nas negociações de paz entre o Irã e os Estados Unidos. A curva de juros reflete ainda o aumento das projeções de inflação no Boletim Focus, em meio à expectativa pela ata da última reunião do Copom, que cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,50% ao ano. O documento será divulgado nesta terça-feira.

De acordo com o Focus, a mediana do IPCA para 2026 subiu pela oitava semana consecutiva, passando de 4,86% para 4,89%, e chegou a 4,91% nas estimativas mais recentes, distanciando-se do teto da meta de 4,50%. O avanço é atribuído à alta do petróleo e aos riscos anunciados do Oriente Médio. Para 2027, a projeção se manteve em 4%, após uma sequência de elevações, ainda acima da meta do Banco Central.

No Oriente Médio, o porta-voz do Irã, Esmail Baghaei, informou que Teerã negocia com Omã um protocolo para garantir a passagem segura de navios pelo Estreito de Ormuz. Ele também ressaltou que os Estados Unidos reduzem seu critério, destacando que as conversas para encerrar o conflito permanecem travadas, enquanto o Irã mantém como prioridade o fim da guerra.

O Comando Central dos EUA negou qualquer ataque iraniano e afirmou que nenhum navio americano foi atingido, após a mídia estatal iraniana alegar o contrário em relação ao Estreito de Ormuz.

Já o presidente da França, Emmanuel Macron, declarou nesta segunda-feira que os europeus não pretendem participar de operações dos EUA no Estreito de Ormuz sem esclarecer quanto aos objetivos dessas ações.