China amplia tarifa zero e abre novo ciclo de oportunidades para exportações africanas
Medida beneficia todos os países africanos com laços diplomáticos, impulsionando exportações e investimento no continente.
A ampliação da política de tarifa zero da China para todos os países africanos com relações diplomáticas promete promover investimentos, atrair investimentos e aliviar a pressão econômica no continente, além de fortalecer o multilateralismo em meio ao avanço do protecionismo global.
A decisão chinesa de ampliar as tarifas nulas a todas as nações africanas com as quais mantêm relações diplomáticas foi recebida como um sinal robusto de apoio ao multilateralismo. Segundo o Global Times, para o ex-ministro Arkebe Oqubay, a medida abre novas oportunidades para as exportações africanas, contribui para a modernização industrial e reduz a pobreza.
Oqubay ressaltou à mídia asiática que a política é especialmente relevante diante das tarifas impostas pelas grandes economias e das dificuldades comerciais enfrentadas por muitos países africanos, que ainda apresentam déficits em relação aos mercados desenvolvidos. De acordo com ele, o tratamento tarifário chinês tende a contribuir para as exportações africanas, melhorar a balança comercial e diversificar o comércio bilateral.
O ex-ministro destacou que o crescimento das exportações beneficiará diretamente agricultores e setores dependentes de produtos agrícolas, essenciais para a renda de milhões de famílias africanas. Ele também mencionou que a expansão comercial fortalece a capacidade dos países africanos de crescer e combater a pobreza.
Desde 1º de maio, a China passou a conceder tarifa zero a 20 países africanos que não são classificados como Países Menos Desenvolvidos (PMDs), além dos 33 PMDs que já tinham acesso livre desde dezembro de 2024. Assim, a China tornou-se a primeira grande economia a oferecer isenção tarifária unilateral a países africanos com laços diplomáticos.
A política já está em vigor, e o primeiro lote de produtos — 24 toneladas de maçãs sul-africanas — entrou na China sob o novo regime. Para Oqubay, os ganhos imediatos deverão se manifestar em setores como agricultura, pecuária, oleaginosas, horticultura e mineração, incluindo minerais críticos e metais preciosos.
No longo prazo, ele avalia que a medida pode ajudar a África a superar a dependência de exportações primárias, estimulando o processamento local, a produção de bens de maior valor agregado e serviços relacionados, além de atrair mais investimentos chineses e gerar empregos. Países como Quênia e África do Sul já se mobilizaram para adaptar certificações e procedimentos alfandegários.
Oqubay também destacou que o acesso ampliado ao mercado chinês pode fortalecer a produção, a agricultura e a mineração, além de aliviar a pressão sobre a balança de pagamentos e a escassez de divisas. Segundo ele, a política contribui para ampliar a capacidade produtiva africana.
A iniciativa foi elogiada por líderes africanos como um impulso à cooperação Sul-Sul num contexto de crises globais e crescente isolacionismo. Para Pequim, a abertura reforça a parceria China-África, amplia a cooperação em energia verde e sustentabilidade, e contribui para a estabilidade, o desenvolvimento comum e a facilitação do comércio no continente.