ECONOMIA GLOBAL

Europa pode perder competitividade ao insistir em modelo econômico liberal, alerta diretor do Banco Central da Bélgica

Pierre Wunsch aponta que manter regras rígidas e mercados abertos já não condiz com a nova ordem global dominada por EUA e China

Publicado em 04/05/2026 às 03:50
Pierre Wunsch alerta para riscos à competitividade europeia diante de mudanças globais impulsionadas por EUA e China. © Sputnik / Collage

A Europa corre o risco de perder competitividade ao manter um modelo econômico liberal que não acompanha as transformações do cenário internacional, alerta Pierre Wunsch, diretor do Banco Central da Bélgica, em entrevista ao Financial Times.

Segundo Wunsch, a Europa acredita de maneira 'ingênua' que o modelo liberal pode resistir às mudanças globais impulsionadas por Estados Unidos e China, conforme destaca a publicação.

O diretor enfatizou que princípios como mercados abertos e restrições a auxílios estatais já não refletem o contexto geopolítico atual, marcado pela política norte-americana de "América em primeiro lugar" e pelo forte intervencionismo estatal chinês.

"Abertura ao comércio e regras rígidas de auxílios estatais funcionavam em um mundo baseado em regras. Este mundo é uma coisa do passado, e se você se apega demais a um mundo que não existe mais, você simplesmente é ingênuo", afirmou Wunsch.

Ele também expressou dúvidas sobre a estratégia da Comissão Europeia, que recentemente firmou acordos de livre comércio com diversos países. Wunsch reconheceu que esse modelo já foi bem-sucedido, mas destacou que a Europa tem ficado para trás em inovação. A pressão se intensifica especialmente em setores de alta demanda energética, nos quais o continente enfrenta custos elevados, mas ainda busca preservar sua produção.

O chefe do banco central belga ressaltou que a China utiliza subsídios de forma ativa e que os EUA adotam políticas protecionistas, prejudicando a "igualdade de condições" no comércio internacional.

De acordo com Wunsch, citado pelo jornal, a União Europeia evita soluções mais complexas enquanto tenta equilibrar competitividade, metas climáticas e mercados abertos. Ele também alertou para o risco de a Europa ficar ainda mais defasada em tecnologia, incluindo inteligência artificial e robótica, perdendo influência na definição de padrões globais.

Por Sputnik Brasil