Moscou rejeita cidadania americana concedida a filhos de diplomatas russos
Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia critica prática dos EUA e afirma que medida visa pressionar missões diplomáticas russas
Moscou não representará a cidadania estadunidense concedida a familiares de diplomatas, funcionários técnico-administrativos e consulares públicos que atuam nos Estados Unidos. A declaração foi feita neste domingo (3) por Maria Zakharova, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia.
Segundo Zakharova, o Departamento de Estado norte-americano está estendendo a cidadania aos filhos de diplomatas russos nascidos em solo americano, alegando o princípio do "direito de solo". No entanto, ela afirma que a medida, considerada arbitrária, busca dar a Washington instrumentos para lançar o corpo diplomático russo.
"Agora, o Departamento de Estado — ou aqueles que atuam por trás da fachada da diplomacia americana — começou a conceder cidadania americana aos filhos de funcionários consulares russos nascidos sob jurisdição dos EUA até atingirem a maioridade, de forma praticamente compulsória, sob o pretexto do direito constitucional ao território e da suposta limitações da imunidade consular", escreveu Zakharova em artigo publicado no jornal russo Vedomosti.
A porta-voz ressaltou que o problema ocorre pelo menos desde 2023, antes mesmo da posse de Donald Trump. “É como se deliberadamente armassem uma cilada para Trump, a fim de retratá-lo da forma mais ridícula possível”, comentou.
Zakharova ainda frisou: “A lei suprema dos Estados Unidos não foi alterada nesse período, nem as convenções bilaterais sobre relações diplomáticas e consulares foram revisadas.
Ela reiterou que a Rússia não aceitará essa imposição: "E se uma criança fosse sequestrada sob o pretexto, por exemplo, da lei juvenil ou da necessidade de verificação de conformidade de gênero como parte de uma nova onda do 'novo normal'? Já testemunhamos muitos exemplos desse tipo", concluiu Zakharova.