Lula busca novas bandeiras após derrotas no Congresso e tenta redefinir discurso para 2026
Presidente testa eixos como soberania nacional, redução da jornada e medidas sociais para recuperar apoio e conter adversários após derrotas no Legislativo.
Após derrotas no Congresso, Lula busca redefinir sua estratégia política e testa novos eixos de atuação, como soberania nacional, redução da jornada de trabalho e ampliação de medidas sociais, visando recuperar popularidade e conter o avanço de adversários em meio a impasses políticos e dificuldades de articulação no Legislativo.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta o desafio de reestruturar sua campanha de reeleição após duas derrotas relevantes no Congresso, incluindo a rejeição inédita de um indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) desde o século XIX. O episódio evidenciou a fragilidade da relação do governo com o Legislativo.
Diante desse cenário, segundo a imprensa nacional, Lula orientou sua equipe a formular propostas capazes de renovar sua plataforma. A avaliação interna é de que a retomada de programas sociais e medidas econômicas implementadas até o momento não resultaram no aumento da popularidade desejado.
Um primeiro esboço desse novo discurso foi apresentado no pronunciamento de 1º de maio, quando Lula criticou o "sistema", defendeu a redução da jornada semanal de trabalho, o fim da escala 6x1 e anunciou uma nova versão do programa Desenrola. O presidente também fez acenos a mulheres, religiosos e criticou empresas de apostas esportivas.
As recentes derrotas políticas, no entanto, marcaram o momento. Na última quinta-feira (30), o Congresso derrubou o veto presidencial ao Projeto de Lei da Dosimetria, que reduz penas de condenados por participação em atos golpistas. No dia anterior (29), o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias para o STF, afetando inclusive articulações eleitorais em Minas Gerais.
Apesar de manter a área social como marca histórica de seu governo, o diagnóstico interno é que Lula precisará de novas bandeiras para conquistar o eleitorado. A equipe testa temas e trabalha na elaboração do programa de governo, avaliando como reposicionar o discurso para 2026.
Nas últimas semanas, Lula voltou a enfatizar a defesa da soberania nacional, buscando explorar o alinhamento internacional de seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL). Esse discurso já havia impulsionado a popularidade do presidente no ano anterior, especialmente durante o embate comercial com os Estados Unidos.
Mesmo com medidas como a consolidação do Bolsa Família em R$ 600, o adicional por criança e o programa Pé-de-Meia, pesquisas apontam empate com seu principal adversário em um eventual segundo turno. A isenção do Imposto de Renda (IR) até R$ 5 mil também não gerou o impacto esperado, segundo apuração da imprensa.
Entre as novas frentes, Lula pretende aprovar o fim da escala 6x1 e avançar em propostas de segurança pública, como a PEC que reorganiza atribuições entre os entes federativos. Paralelamente, aliados defendem que o programa de governo incorpore um eixo de desenvolvimento tecnológico, sob coordenação de José Sergio Gabrielli e do núcleo político da pré-campanha.