DIREITOS HUMANOS

Ativista brasileiro relata espancamento após interceptação de flotilha por Israel

Thiago Ávila denuncia agressões e isolamento após ser detido em ação militar israelense em águas internacionais; organizações e governos reagem.

Por Sputnik Brasil Publicado em 03/05/2026 às 12:01
Ativista brasileiro denuncia agressões após interceptação de flotilha humanitária por Israel. © AP Photo / Ohad Zwigenberg

O ativista brasileiro Thiago Ávila denunciou ter sido espancado e mantido sob isolamento após a interceptação da Flotilha Global Sumud por forças israelenses em águas internacionais. Israel o acusa de ligação com grupo alvo de sanções, enquanto organizações de direitos humanos relatam possíveis violações durante a operação.

A denúncia de Ávila provocou forte repercussão internacional após ele afirmar ter sido alvo de "extrema brutalidade" durante a abordagem militar, quando a flotilha levava ajuda humanitária com destino à Faixa de Gaza.

Segundo a mídia britânica e advogados da organização Adalah, Thiago Ávila foi levado no domingo (3) a um tribunal em Ashkelon para interrogatório após a detenção.

De acordo com Miriam Azem, representante da Adalah, o brasileiro relatou ter sido arrastado pelo chão e espancado com tal violência que chegou a desmaiar duas vezes. Ávila integrava uma flotilha composta por mais de 50 embarcações, partindo de países europeus, com o objetivo de romper o bloqueio israelense e entregar suprimentos ao território palestino.

A operação foi interceptada por Israel em águas internacionais próximas à Grécia na quinta-feira (30), conforme os organizadores. Além de Ávila, o espanhol Saif Abu Keshek também foi detido e afirmou ter sido mantido em isolamento, vendado, amarrado e forçado a permanecer de bruços desde a captura.

O governo israelense informou que 175 ativistas foram detidos, mas apenas Ávila e Abu Keshek foram levados ao país para interrogatório. As autoridades solicitaram a prorrogação da detenção por mais quatro dias, alegando que ambos teriam vínculos com a Conferência Popular para os Palestinos no Exterior, entidade que Israel associa a atividades clandestinas ligadas ao movimento palestino Hamas.

A Espanha condenou a detenção de seu cidadão e rejeitou as acusações feitas por Israel. Os organizadores da flotilha afirmaram que a interceptação ocorreu a mais de mil quilômetros da costa de Gaza e classificaram a ação como uma "armadilha mortal calculada no mar", denunciando ainda a destruição de equipamentos das embarcações.

Advogados da Adalah relataram ter conseguido se reunir com os dois ativistas no sábado (2), na prisão de Shikma, em Ashkelon. A organização segue acompanhando o caso e denunciando possíveis violações de direitos humanos durante a operação.

O episódio reacende críticas internacionais sobre a atuação de Israel em operações marítimas e sobre o tratamento dado a ativistas que tentam romper o bloqueio imposto a Gaza, enquanto organizações de direitos humanos pressionam por investigações independentes.