STF evita novo confronto com Congresso enquanto PT tenta barrar Lei da Dosimetria
Partido aciona Supremo para reverter derrubada parcial de veto de Lula, mas Corte sinaliza cautela diante de novos embates institucionais.
O Partido dos Trabalhadores (PT) busca reverter no Supremo Tribunal Federal (STF) a aprovação da Lei da Dosimetria, após o Congresso Nacional derrubar parte do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A legenda pretende questionar a decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), que submeteu à votação apenas trechos do veto presidencial.
De acordo com veículos da mídia nacional, o STF pode ser novamente colocado diante de um impasse com o Poder Legislativo. O PT tenta reverter a segunda derrota recente no parlamento — após a rejeição ao nome de José Messias, indicado por Lula ao Supremo — agora com a derrubada parcial do veto à Lei da Dosimetria.
Se a ação for protocolada, o processo será distribuído por sorteio entre os ministros, já que não há relator prevento. O ministro sorteado poderá negar o pedido liminarmente, solicitar informações ao Congresso, levar o caso diretamente ao plenário ou submeter uma decisão provisória aos demais ministros.
A escolha do relator é considerada crucial, pois o atual ambiente no STF não favorece decisões rápidas para suspender a nova legislação. Assessores próximos aos ministros avaliam que o tribunal tende a evitar novos embates com o Congresso no curto prazo, após anos de tensões institucionais.
A avaliação interna é que uma eventual declaração de inconstitucionalidade da lei neste momento ampliaria o desgaste entre os Poderes. O STF já acumulou atritos recentes com o Legislativo em temas como o inquérito das fake news, o orçamento secreto e disputas envolvendo CPIs.
Outro elemento relevante é o entendimento consolidado de que o STF deve agir com cautela ao intervir em atos das presidências da Câmara e do Senado. No julgamento sobre o adiamento da CPI do INSS, a Corte sinalizou resistência em revisar decisões internas do Legislativo.
Ao vetar o projeto em janeiro de 2026, Lula justificou alegando inconstitucionalidade e risco ao interesse público, afirmando que a redução de penas para crimes contra o Estado democrático poderia incentivar novas ações contra a ordem constitucional. O governo também apontou irregularidades no processo legislativo, argumentando que o Senado alterou dispositivos aprovados pela Câmara sem devolver o texto, contrariando o rito bicameral exigido pela Constituição.