ECONOMIA E POLÍTICA

Guerra de Trump é grave, mas juros já poderiam ter caído mais, diz Haddad

Ex-ministro da Fazenda critica manutenção da taxa Selic em patamar elevado e comenta cenário político no Dia do Trabalho.

Publicado em 01/05/2026 às 20:59
Fernando Haddad Renato Araújo/Câmara dos Deputados

O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo pelo PT, Fernando Haddad, voltou a criticar nesta sexta-feira, 1º, o patamar dos juros no Brasil, classificando-os como excessivamente altos e desnecessários. Ele reconheceu o impacto da guerra no Oriente Médio, mas reforçou que a taxa já poderia estar em níveis mais baixos.

"Eu não canso de dizer que os juros estão muito altos, não há necessidade disso. Agora, nós estamos com um episódio grave, que é a guerra do Trump, que está atrapalhando o mundo inteiro, mas já dava para ter caído mais os juros", afirmou Haddad ao deixar o ato em comemoração ao Dia do Trabalho. O evento, organizado por centrais sindicais, ocorreu em São Bernardo do Campo, São Paulo.

Na última quarta-feira, 29, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic pela segunda vez consecutiva, com um corte de 0,25 ponto percentual. Assim, a taxa passou de 14,75% para 14,50% ao ano.

Haddad também foi questionado sobre o possível impacto de recentes derrotas do governo no Congresso no andamento da PEC 6X1. Na mesma quarta-feira, o Senado rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF), nome proposto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Não, vamos separar as coisas", respondeu Haddad. "Isso (a PEC 6X1) é uma demanda dos trabalhadores. Estamos no 1º de maio para celebrar as conquistas deste governo, mas também para apresentar ao Congresso Nacional, que representa os trabalhadores, a urgência de enfrentar a questão da jornada de trabalho", destacou.

Voo de galinha

Questionado sobre a recente declaração do ex-ministro e pré-candidato à Presidência Aldo Rebelo (DC) ao Diário do Grande ABC, de que a economia brasileira teria feito um "voo de galinha", Haddad lamentou a avaliação do colega.

"Acho que ele não está acompanhando os indicadores de crescimento, comparando o governo Lula com o governo que ele apoiou. Lamento por ele, pois tinha uma trajetória interessante. Derrapar desse jeito nessa idade, eu lamento. Tinha apreço por ele", disse Haddad.