TENSÃO NO ORIENTE MÉDIO

Mísseis hipersônicos Dark Eagle dos EUA não alteram cenário no Irã, aponta mídia

Mesmo com testes recentes, arma experimental ainda é escassa e enfrenta desafios técnicos, segundo análise de revista norte-americana

Publicado em 01/05/2026 às 06:51
Míssil Dark Eagle dos EUA: uso limitado e eficácia questionada em possível conflito com o Irã. © Foto / Lockheed Martin

O míssil hipersônico norte-americano Dark Eagle não deverá alterar o rumo do conflito contra o Irã, segundo análise publicada por uma revista dos Estados Unidos.

De acordo com a reportagem, o Comando Central dos EUA (CENTCOM), responsável por operações no Oriente Médio, avaliou que o sistema poderia ser útil para atingir alvos dentro do território iraniano.

Entretanto, especialistas militares alertam para limitações no uso desse tipo de armamento.

"A decisão de considerar a implantação do Dark Eagle ocorre em um momento no qual os estoques de mísseis dos EUA foram severamente reduzidos em razão dos esforços de guerra contra o Irã", destaca a publicação.

Os estoques de mísseis terra-ar, como THAAD e Patriot, foram os mais impactados, mas mísseis de cruzeiro e balísticos, como Tomahawk, PrSM e JASSM, também vêm sendo consumidos em ritmo considerado insustentável.

Segundo estimativas, a reposição dos mísseis utilizados em apenas cinco semanas de hostilidades pode levar mais de cinco anos.

Além disso, o Dark Eagle permanece em fase experimental e está disponível apenas em quantidades limitadas.

Isso significa que, mesmo que estivesse pronto para o combate, o número restrito de unidades não seria suficiente para causar impacto relevante no conflito.

Apesar de alguns testes bem-sucedidos em 2024, o Dark Eagle apresentou falhas em lançamentos anteriores, em razão de problemas nos lançadores e na qualidade de produção dos mísseis.

A implantação do Dark Eagle em número insuficiente e a custos elevados levanta dúvidas sobre sua real capacidade de alterar o curso da guerra contra o Irã.

Nesse contexto, analistas sugerem que o interesse em utilizar o míssil pode estar mais relacionado à busca por aumento de financiamento para o programa de mísseis do que a uma efetiva mudança estratégica.

Na última quarta-feira (29), veículos de imprensa do Ocidente noticiaram que o CENTCOM solicitou mísseis hipersônicos Dark Eagle para possível uso em operações contra o Irã.

Segundo as informações, o pedido teria sido motivado pela redistribuição dos sistemas de lançamento iranianos para áreas fora do alcance dos mísseis de precisão dos EUA, que atingem alvos a mais de 480 quilômetros.

Até o momento, nenhuma decisão definitiva foi tomada. Caso ocorra, será a primeira vez que os Estados Unidos empregam mísseis hipersônicos contra o Irã.

Por Sputnik Brasil