ANÁLISE INTERNACIONAL

Estratégia política ou gesto de solidariedade? Entenda a visita do papa Leão XIV à África

Pontífice percorreu quatro países africanos em abril; especialistas analisam impacto religioso e político da viagem

Publicado em 30/04/2026 às 23:03

Estratégia política ou gesto de solidariedade? A recente visita do papa Leão XIV à África, realizada entre 13 e 23 de abril, incluiu passagens por Angola, Argélia, Camarões e Guiné Equatorial. O gesto do pontífice pode ser interpretado tanto como uma demonstração de apoio aos fiéis e à população local quanto como um movimento com implicações políticas no cenário internacional.

O cientista político Mamadou Alpha Diallo observa que a presença do papa afeta não apenas a fé e a religião, mas também possui um peso político relevante. “A visita do papa é sempre um soft power, uma vitrine para quem o recebe”, destaca Diallo.

Já o diplomata brasileiro Alexandre Iansen de Santana, que atua na Tunísia, considera que a viagem de Leão XIV à África deve ser compreendida como uma ação multifacetada. Para ele, trata-se “mais de uma diplomacia afirmativa e normativa e de solidariedade do que propriamente geopolítica pura”.

O catolicismo tem crescido no continente africano, apresentando características próprias marcadas pelo sincretismo e pela adaptação às culturas locais — um consenso entre os analistas. Segundo Santana, a Igreja Católica conseguiu se enraizar de forma orgânica e adaptar-se muito bem às nuances culturais africanas, em contraste com a América Latina, onde há perda de fiéis.

Na perspectiva da expansão da Igreja, Diallo chama atenção para o continente africano como palco de disputas históricas. “O continente continua sendo o centro da geopolítica, [...] a disputa por fiéis também é uma disputa geopolítica. Então o continente está sempre na mira. Infelizmente, há sempre uma visão eurocentrada, uma visão colonialista do continente africano. Parece que é ali que se conseguem os objetivos de cada um: quem procura recursos vai para o continente africano, quem procura fiéis, também vai para o continente africano”, avalia.

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Por Sputnik Brasil