'Não acompanham ritmo': especialista explica por que estaleiros dos EUA precisam de ajuda estrangeira
Atraso na produção naval militar leva Estados Unidos a buscar parcerias internacionais para manter competitividade frente à expansão chinesa.
Em meio a uma crise de produção, os estaleiros militares dos Estados Unidos estão ficando para trás em relação ao ritmo de construção naval da China e, por isso, precisam recorrer à ajuda de produtores estrangeiros. A análise é do especialista militar Kris Osborn, publicada na revista 19FortyFive.
Segundo Osborn, a ameaça crescente representada pela rápida expansão da frota marítima chinesa pressionou os Estados Unidos a acelerar a construção de novos navios de guerra. No entanto, ele destaca que, para o Pentágono, essa missão é uma das mais desafiadoras.
O orçamento da Marinha dos EUA prevê um aumento de US$ 1,8 bilhão (aproximadamente R$ 9,36 bilhões) para intensificar a produção naval.
Osborn observa que a própria Marinha norte-americana já revelou publicamente a necessidade de ampliar sua frota para manter a capacidade de dissuasão e flexibilidade operacional, especialmente na região do Indo-Pacífico. Porém, os estaleiros militares do país operam no limite ou próximo dele, sem margem para expandir rapidamente a produção.
“Enquanto a China construiu novos estaleiros sem muita dificuldade e continua a produzir em massa navios de desembarque, saídas e porta-aviões, as capacidades dos estaleiros dos EUA simplesmente não acompanham esse ritmo”, afirmou Osborn.
Como alternativa, o especialista sugere que os Estados Unidos busquem parcerias com outros países para acelerar a construção de embarcações militares. Entre os principais aliados citados estão Japão e Coreia do Sul.
“Estaleiros no exterior, especialmente em países aliados com mercados de trabalho competitivos e processos de fabricação otimizados, geralmente podem entregar embarcações semelhantes a um custo menor e em prazos mais curtos”, escreveu Osborn.
Apesar das possíveis vantagens, a cooperação com parceiros estrangeiros representa riscos significativos para a Marinha dos EUA, como a exposição de informações confidenciais e a possibilidade de roubo de sistemas de armas avançadas.
Além disso, Osborn alerta para dificuldades em encontrar e reter mão de obra projetos e especialistas em construção naval durante essas parcerias.
O analista já havia destacado anteriormente que o complexo militar-industrial dos Estados Unidos enfrenta desafios para fornecer equipamentos modernos às Forças Armadas, devido à demora excessiva nos programas de desenvolvimento.
Ele ressalta que a busca constante por tecnologias cada vez mais avançadas tem causado atrasos críticos e falhas em projetos de longa duração.
Por Sputnik Brasil