Ramagem é liberado de detenção nos EUA e retorna para casa, dizem aliados
Ex-parlamentar estava detido por questões migratórias na Flórida; pedido de asilo impede deportação imediata
Ex-deputado havia sido detido por questões migratórias na Flórida; defesa afirma que pedido de asilo está em análise e impede deportação.
Após dois dias sob custódia das autoridades migratórias dos Estados Unidos, o ex-deputado federal Alexandre Ramagem foi liberado de um centro de detenção na Flórida e retornou ao seu domicílio, segundo aliados. A informação foi confirmada por pessoas próximas, incluindo o blogueiro Paulo Figueiredo, que acompanhou o caso.
De acordo com Figueiredo, Ramagem "está em casa, em local seguro" e não será deportado neste momento, pois sua permanência nos EUA está respaldada por um pedido de asilo ainda em análise. Figueiredo também afirmou que o ex-parlamentar não deve se pronunciar à imprensa.
Ramagem foi detido na última segunda-feira (13) pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE), em Orlando, após uma abordagem policial. Segundo relatos, ele estava com o visto de turista expirado, o que motivou sua retenção por questões migratórias — um procedimento considerado comum pelas autoridades locais.
O ex-deputado está nos Estados Unidos desde setembro de 2025, após deixar o Brasil de forma clandestina pela fronteira com a Guiana. A fuga ocorreu no mesmo dia em que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou por sua condenação no caso da trama golpista. Posteriormente, a Corte determinou sua prisão.
Condenado a mais de 16 anos de prisão e com o mandato cassado em dezembro de 2025, Ramagem também perdeu o passaporte diplomático. O Ministério da Justiça formalizou, ainda naquele mês, um pedido de extradição às autoridades americanas.
De acordo com investigadores, após cruzar a fronteira terrestre em Roraima, ele seguiu para a Guiana e, de lá, embarcou para Miami, onde passou a viver com a família. Desde então, é considerado foragido da Justiça brasileira.
A repercussão política do caso envolveu também o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que agradeceu publicamente ao presidente dos EUA, Donald Trump, e ao secretário de Estado, Marco Rubio, pela "sensibilidade" no tratamento do caso. Figueiredo fez menção semelhante ao agradecer à administração americana.
Apesar das manifestações, ainda não está claro até que ponto houve influência direta da Casa Branca na liberação. O pedido de asilo apresentado por Ramagem segue em análise, o que, segundo aliados, garante sua permanência legal no país até decisão final — processo que pode levar meses ou anos.
O caso permanece cercado por disputas judiciais e diplomáticas, especialmente em torno de uma possível extradição para o Brasil.