STF adia decisão sobre direito ao silêncio em abordagens policiais
Ministro Alexandre de Moraes pede vista e julgamento que discute o direito ao silêncio em abordagens policiais segue sem data para retomada
O Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu nesta quarta-feira (15) o julgamento que definirá se suspeitos de crimes devem ser informados sobre o direito ao silêncio ao serem abordados por policiais.
A análise foi interrompida após pedido de vista do ministro Alexandre de Moraes. Ainda não há previsão para a retomada do julgamento.
A Corte irá decidir sobre a aplicação do direito constitucional à não autoincriminação durante inquirições informais em abordagens policiais.
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Votos
O julgamento teve início em outubro do ano passado, quando o relator, ministro Edson Fachin, defendeu que o direito constitucional ao silêncio deve ser garantido também em abordagens policiais, evitando confissões informais colhidas por policiais.
Os ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin e Nunes Marques acompanharam o voto do relator.
Na sessão desta quarta-feira, o ministro André Mendonça divergiu, argumentando que não cabe à polícia alertar expressamente o suspeito sobre esse direito.
“A pessoa tem direito ao silêncio, esse direito é assegurado constitucionalmente a qualquer cidadão, em qualquer contexto. Outra coisa é a obrigatoriedade da autoridade policial fazer a expressa consignação da existência desse direito”, afirmou Mendonça.
Ao justificar o pedido de vista, Alexandre de Moraes ressaltou que a decisão do STF terá impacto direto na segurança pública e poderá anular investigações.
"Aparentemente é uma mudança banal, mas pode levar a centenas de nulidades e de [soltura de] criminosos nas ruas", afirmou o ministro.