POLÍTICA MONETÁRIA

Orçamento para cortes da Selic não foi debatido, afirma diretor do BC

Nilton David, do Banco Central, destaca que incertezas impedem definição de limite para a calibragem dos juros.

Publicado em 15/04/2026 às 19:23
Reprodução / Agência Brasil

O diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, afirmou nesta quarta-feira (15) que o orçamento total para cortes da taxa Selic não foi tema das discussões recentes no Comitê de Política Monetária (Copom).

A declaração foi dada durante um evento do JPMorgan, em Washington, durante as reuniões de Primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI). Nilton foi questionado sobre até onde a Selic poderia chegar no chamado processo de "calibragem" dos juros, termo utilizado pelo BC para o atual ciclo de ajustes.

"O orçamento da calibração nunca entrou na discussão", ressaltou Nilton David, explicando que é difícil definir esse tipo de orçamento em um contexto de elevada incerteza como o atual.

Segundo ele, além da taxa neutra estrutural e real de juros, atualmente estimada em 5% pelo BC, existem outras "camadas" de ordem conjuntural. Por isso, afirmou, é necessário cautela para determinar em que nível a Selic deixaria de ser restritiva. "Essas camadas são extras. Por isso, não estamos rodando só um pouco acima de 5% de juro real. Estamos muito acima. E a razão é contemplar essas ondas de coisas. E essas coisas, a maioria já ficou para trás ou está ficando para trás", detalhou.

Mercado de trabalho

Durante a palestra, Nilton David reiterou que a atividade econômica está retornando ao seu potencial, deixando para trás o auge dos estímulos ao consumo. Ele destacou que, embora mais apertado do que o ideal, o mercado de trabalho é o último a sentir os efeitos dos juros elevados.

Nilton observou ainda que a maior escassez de mão de obra está concentrada no setor de construção, onde a taxa média de juros difere das demais atividades. Apesar disso, ao comentar os últimos dados de emprego, que vieram abaixo das expectativas, o diretor do BC enfatizou que as decisões da autoridade monetária não se baseiam em um único indicador.