Dólar fecha praticamente estável em dia de cautela e segue abaixo de R$ 5,00
Moeda norte-americana encerra sessão com leve queda, em meio a incertezas geopolíticas e fluxo cambial negativo.
Após oscilar próximo da estabilidade durante a tarde, o dólar à vista encerrou a sessão desta quarta-feira (15) cotado a R$ 4,9922, com leve baixa de 0,03%. Em meio à ausência de avanços concretos nas negociações entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio, o apetite por moedas de mercados emergentes permaneceu restrito.
Segundo operadores, investidores aguardam novos gatilhos para aumentar posições na moeda brasileira, especialmente após o dólar romper o piso de R$ 5,00 e acumular queda de 3,60% em abril. O recuo do Ibovespa, em aparente realização de lucros, também sugere uma moderação pontual no interesse estrangeiro por ativos locais.
No início do pregão, o dólar chegou a esboçar alta mais firme, superando os R$ 5,00 e atingindo máxima de R$ 5,0024. Contudo, o movimento comprador perdeu força após a primeira hora de negociações, e a moeda passou o restante da sessão oscilando na faixa de R$ 4,99, após registrar mínima de R$ 4,9850. Com o recuo de 0,03%, o dólar completou seis pregões consecutivos de queda frente ao real, voltando a patamares observados no fim de março de 2024.
O sócio da Valor Investimentos, Gustavo Trotta, destaca que o dólar também apresentou oscilações modestas no exterior, especialmente em comparação com moedas fortes, o que reflete uma postura mais cautelosa dos investidores. "O mercado está tentando entender quais serão os próximos desdobramentos no Oriente Médio", afirma Trotta.
O índice DXY, referência do comportamento do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, permaneceu praticamente estável na maior parte do dia e registrava leve baixa no fim da tarde, pouco acima dos 98.000 pontos. O iene avançou cerca de 0,10% frente ao dólar após relatos de conversas entre autoridades japonesas e americanas sobre medidas cambiais. Entre moedas pares do real, destaque negativo para a perda superior a 1% do peso colombiano, enquanto os pesos mexicano e chileno ficaram próximos da estabilidade.
À tarde, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, negou que os Estados Unidos tenham solicitado ao Irã uma extensão do cessar-fogo. Ela afirmou que a próxima rodada de negociações deve ocorrer em Islamabad, com o Paquistão atuando como "único mediador". Na noite de terça-feira, Donald Trump declarou que a guerra contra o Irã "está muito perto do fim" e que Teerã "quer muito fazer um acordo". Por sua vez, Israel descartou a possibilidade de cessar-fogo com o Líbano e reforçou que continuará atacando bases do Hezbollah, grupo xiita ligado ao Irã.
O Banco Central informou, também à tarde, que o fluxo cambial total foi negativo em US$ 1,303 bilhão na primeira semana de abril (de 6 a 10), com saídas líquidas de US$ 1,066 bilhão pelo canal financeiro. No mês, até o dia 10, o saldo foi negativo em US$ 750 milhões, com retiradas líquidas de US$ 678 milhões no segmento financeiro. Esses números contrastam com relatos de operadores sobre aumento da entrada de recursos de investidores não residentes para ativos domésticos.
O economista Sérgio Goldenstein, sócio-fundador da Eytse Estratégia, ressalta que a valorização do real entre os dias 3 e 10 de abril — período de fluxo negativo — esteve alinhada ao movimento global do dólar, com o DXY recuando de 100,03 para 98,65 pontos. "O peso mexicano e o rand sul-africano, moedas pares, valorizaram-se um pouco mais que o real. Em outras palavras, a apreciação do real esteve em linha com a trajetória de outras moedas emergentes", afirma.