BC não conta com o câmbio para trazer a inflação à meta, diz diretor
Nilton David destaca resiliência do real, mas reforça que controle da inflação não depende da moeda
O diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Nilton David, afirmou nesta quarta-feira (15) que o real tem demonstrado resiliência diante dos conflitos no Oriente Médio. Apesar desse desempenho positivo, ele ressaltou que o BC não depende do câmbio para atingir a meta central de inflação, fixada em 3%.
“Não contamos com esses efeitos para fazer o trabalho de trazer a inflação para a meta. Eu até brinco que, quando eu era operador de câmbio no passado, eu acertava 50% das vezes, e aqui não é diferente. Então, eu não ousaria adivinhar o que vai acontecer”, comentou Nilton David durante seminário promovido pelo JP Morgan, realizado paralelamente às reuniões de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington, nos Estados Unidos.
Segundo o diretor, o real apresenta atualmente uma volatilidade menor do que o habitual em períodos de instabilidade internacional. Esse comportamento, segundo ele, colabora com o trabalho do BC no controle da inflação.
No entanto, Nilton David destacou que o impacto do câmbio nas expectativas é maior em momentos de depreciação do real, e não de valorização. “Por isso, não é algo com que eu possa contar, porque eu sei que, em algum momento, o dólar vai subir, e isso não vai ser uma situação confortável para a inflação.”
O diretor do BC reconheceu que se surpreendeu positivamente com o desempenho recente do real frente ao dólar, mas ponderou que as razões para esse comportamento são conjunturais, não estruturais. Dessa forma, não é possível garantir a estabilidade do câmbio no futuro.
“Então, não conto com isso daqui para frente”, afirmou Nilton, aproveitando para reforçar que o câmbio no Brasil é flutuante e que o Banco Central só intervém em casos de disfuncionalidade do mercado.
Por fim, ele acrescentou que, para a inflação convergir de forma sustentável à meta, é necessário garantir que a atividade econômica retorne ao seu potencial.