ECONOMIA

Expectativa é reduzir dívida brasileira no médio e longo prazos, afirma Durigan

Ministro da Fazenda destaca diferenças metodológicas do FMI e reforça compromisso com estabilização fiscal

Publicado em 15/04/2026 às 17:08
O ministro da Fazenda, Dario Durigan Reprodução / Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que as novas projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o quadro fiscal brasileiro não representam uma surpresa, mesmo diante da piora nas estimativas. Segundo Durigan, o organismo internacional adota uma metodologia de cálculo distinta, voltada para a comparação entre países, e, diferentemente do cenário traçado pelo FMI, a expectativa do governo brasileiro é de estabilização e posterior redução da dívida no médio e longo prazos.

"É importante notar que há uma diferença entre as metodologias, do que se considera para fins do FMI e para fins brasileiros, o que não é novidade", explicou Durigan, em conversa com jornalistas em Washington, durante as reuniões de Primavera do Fundo.

O FMI projeta que a dívida pública brasileira atingirá o patamar de 100% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027, primeiro ano do próximo governo. O alerta consta do novo relatório Monitor Fiscal, divulgado nesta quarta-feira, 15.

Esse marco preocupante deve ocorrer após meia década de deterioração das contas públicas. A dívida brasileira segue em trajetória ascendente desde 2023 e, segundo o Fundo, deve chegar a 96,5% do PIB em 2024, o maior nível desde a pandemia de covid-19, quando alcançou 96% em 2020.

A dívida bruta em relação ao PIB é um dos principais indicadores de solvência de um país, sendo acompanhada de perto por agências de classificação de risco e investidores. No entanto, o FMI inclui em seu cálculo os títulos do Tesouro detidos pelo Banco Central, que não são considerados nas estatísticas do governo brasileiro, justamente para permitir a comparação internacional.

"De fato, deveríamos excluir esse montante de títulos que não cumprem o papel de refinanciamento da dívida pública, apesar de serem títulos públicos", defendeu Durigan.

O ministro ressaltou que a dívida pública é uma preocupação constante e que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) continuará atuando para enfrentá-la. "Temos compromisso com a estabilização da trajetória da dívida pública brasileira e a expectativa de, no médio e longo prazo, reduzir esse endividamento", concluiu.