TENSÃO NO ORIENTE MÉDIO

Irã teria usado satélite espião chinês para monitorar bases americanas, aponta jornal

Financial Times revela que equipamento chinês foi empregado para mapear instalações dos EUA antes de ataques; China nega envolvimento.

Publicado em 15/04/2026 às 11:46
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O Irã adquiriu secretamente, no fim de 2024, um satélite espião de origem chinesa, utilizado para monitorar instalações militares dos Estados Unidos no Oriente Médio durante o recente conflito na região. A informação foi publicada nesta quarta-feira, 15, pelo jornal Financial Times. A China nega as acusações.

De acordo com a reportagem, o equipamento, identificado como TEE-01B e desenvolvido pela empresa Earth Eye Co., foi lançado na China e posteriormente incorporado à Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária Islâmica. O jornal afirma ter tido acesso a documentos militares iranianos classificados como vazados.

O satélite teria sido utilizado para mapear bases militares estratégicas dos EUA, empregando imagens orbitais, coordenadas geográficas e análises com registro temporal. As observações ocorreram em março, antes e depois de ataques com drones e mísseis contra essas instalações.

Os documentos também indicam que, como parte da cooperação, a Guarda Revolucionária passou a ter acesso a estações terrestres comerciais operadas pela Emposat, empresa sediada em Pequim e especializada em serviços de controle de satélites.

O Ministério das Relações Exteriores da China classificou as acusações como "rumores fabricados" em comunicado à agência Reuters. Segundo o governo chinês, "algumas forças têm se empenhado em associar maliciosamente a China a esse tipo de narrativa", reiterando oposição a "práticas motivadas por segundas intenções".

Conforme o Financial Times, a Casa Branca, a CIA e o Pentágono não comentaram o caso. As empresas citadas também não responderam aos pedidos de posicionamento.

O jornal britânico acrescenta ainda que o satélite teria captado imagens de bases como a Base Aérea Príncipe Sultan, na Arábia Saudita, além de instalações na Jordânia, Bahrein e Iraque, em datas próximas a ataques atribuídos à Guarda Revolucionária Islâmica contra alvos na região.