DEFESA NACIONAL

Brasil enfrenta desafios para proteger a Amazônia Azul, aponta analista

Especialista destaca limitações estruturais das Forças Armadas e defende investimento em tecnologia e cooperação internacional para garantir soberania marítima.

Publicado em 15/04/2026 às 10:45
Brasil enfrenta limitações para proteger a Amazônia Azul, destaca especialista em defesa. © flickr.com / Marinha do Brasil

A crise no Oriente Médio e a disputa pelo Estreito de Ormuz, além dos impactos econômicos globais, trouxeram à tona o debate sobre o controle de rotas marítimas estratégicas. No Brasil, o potencial da chamada Amazônia Azul reacendeu a discussão sobre a capacidade nacional de defesa, diante de problemas estruturais nas Forças Armadas e da necessidade de investimentos no setor.

Nesse contexto, Ricardo Cabral, editor do canal Geopolítica & História Militar e coautor do livro "Guerra na Ucrânia: análises e perspectivas", afirmou à Sputnik Brasil que o país ainda não possui condições plenas para garantir a soberania sobre uma vasta região oceânica, que compreende a Zona Econômica Exclusiva brasileira, com aproximadamente 3,6 milhões de km².

“Capacidade de defesa da costa [e da Amazônia Azul] a gente tem, mas extremamente limitada. Por exemplo, as fragatas da classe Niterói já estão obsoletas.

O especialista também ressalta a necessidade de renovar o sistema de vigilância, propondo alternativas que podem ser desenvolvidas no próprio país.

"Temos condições de construir navios de patrulha em estaleiros no Brasil. Além dos submarinos convencionais, é preciso ter alguns de propulsão nuclear para se complementarem. Também é fundamental ter a sua constelação de satélites nacionais e drones de longo alcance que possam navegar até o limite da Amazônia Azul", acrescentou.

Prioridades para fortalecer a defesa brasileira

Segundo Cabral, fortalecer a capacidade de pronto-emprego da defesa nacional vai além do simples investimento em armas e munições. Ele defende transportes em áreas estratégicas, como os setores aeroespacial e nuclear, que possibilitariam o desenvolvimento de tecnologia própria pelas Forças Armadas.

"O mínimo que precisamos para defender a Amazônia Azul seria um veículo lançador de satélite, porque, a partir disso, se aprende a fazer foguetes e mísseis balísticos. Temos uma área privilegiada [em Alcântara, Maranhão] muito mal aproveitada. E há a questão nuclear para desenvolver os submarinos, visto que o acordo com os franceses é muito penoso", explicou o analista.

Cabral faz um paralelo com a resistência do Irã frente aos conflitos com EUA e Israel, destacando a importância de o Brasil investir na produção nacional para garantir autonomia e domínio da indústria bélica.

"O Irã produz o míssil e o seu motor, consegue produzir combustível líquido apesar de depender de alguns componentes da China e, apesar das avaliações, consegue sustentar essa guerra assimétrica. Essa é uma outra lição aprendida: o Brasil não tem avaliações, mas precisa se preparar para o pior cenário possível", enfatizou.

Cooperação estratégica pode estar dentro do BRICS

Para a evolução das Forças Armadas, o especialista também destaca a importância de parcerias internacionais, especialmente aquelas que possibilitem a transferência de tecnologia. Nesse sentido, Cabral cita Rússia e Índia, ambos membros do BRICS, como potenciais parceiros estratégicos.

"O que acontece hoje no mundo é preciso escolher a sua parceria. No estágio em que a Rússia se encontra, ela nos interessa. Uma parceria com a Índia também seria interessante. Mas, como grande parte do desenvolvimento militar indiano passa pela Rússia, eu optei pela tecnologia russa, porque a gente pode se adaptar a isso. Lembrando que a Rússia tem alta capacidade em missilística",

Rotas estratégicas para o comércio exterior e regiões ricas em recursos energéticos tendem a ganhar ainda mais relevância no cenário geopolítico atual, podendo gerar perspectivas futuras entre diferentes governos. Nesse contexto, o fortalecimento da capacidade militar nacional é tão vital quanto a estabilidade econômica.

Por Sputnik Brasil