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Rússia aceitará qualquer decisão do Irã em relação ao urânio enriquecido, afirma Lavrov

Publicado em 15/04/2026 às 01:33
© Sputnik / Sergey Guneev / Acessar o banco de imagens

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, afirmou nesta quarta-feira (15) que Moscou aceitará qualquer decisão tomada pelo Irã em relação ao urânio enriquecido.

"Aceitaremos qualquer decisão que satisfaça o lado iraniano dentro da estrutura de seus direitos legítimos", disse Lavrov durante uma coletiva de imprensa em Pequim, na China.

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) nunca determinou que o enriquecimento de urânio pelo Irã tenha fins militares, observou Lavrov.

"A Rússia [...] está pronta para desempenhar seu papel na resolução da questão do urânio enriquecido. Esse papel pode assumir diversas formas, incluindo a conversão de urânio altamente enriquecido em urânio combustível e a transferência de uma certa quantidade para a Rússia para armazenamento. Qualquer coisa que seja aceitável para o Irã sem, repito, violar seu direito inalienável, como o direito de qualquer outro Estado, de enriquecer urânio para fins pacíficos."

Lavrov reforçou que a Rússia continua a construir relações com o Irã em "plena conformidade com o direito internacional", uma vez que Teerã não sofreu qualquer tipo de sanção internacional.

Sobre as negociações entre Irã e Estados Unidos, o chanceler russo destacou que Moscou insiste na continuidade das conversas para chegar a uma solução sobre o estreito de Ormuz.

"Nós, juntamente com a China, apoiamos firmemente a continuação dessas negociações."

Outros assuntos

Durante a coletiva de imprensa, Lavrov também comentou as sanções sofridas por Cuba. Segundo o ministro das Relações Exteriores da Rússia, tanto Moscou quanto Pequim continuam fornecendo assistência a Havana.

"Nós, é claro, fornecemos apoio a Cuba – assim como a República Popular da China: político, dentro da ONU e em outros fóruns, econômico e humanitário... Não tenho dúvidas de que continuaremos a fornecer essa assistência."

Lavrov também citou a capacidade russa para fornecer energia a países que sofram com desabastecimentos ocasionados por imbróglios como no estreito de Ormuz, contanto que estas nações atuem "em bases de igualdade e benefício mútuo".

Já sobre a operação especial russa na Ucrânia, o chanceler russo destacou que os acordos firmados entre Moscou e Washington no encontro no Alasca, em meados de 2025, continuam sendo bloqueados pela elite europeia.

"Em agosto de 2025, no Alasca, aceitamos propostas que, em nossa opinião, foram feitas pelos Estados Unidos de coração e com as melhores intenções. Infelizmente, desde então, esses acordos — não o espírito, mas os acordos e o entendimento do Alasca — foram bloqueados e sabotados pela elite governante europeia, estabelecida em Bruxelas, Paris e Berlim, e ativamente apoiada por Londres."

O ministro das Relações Exteriores da Rússia reforçou que o país continua pronto para negociar com os Estados Unidos um caminho para o fim do conflito na Ucrânia.

"Precisamos saber como estão progredindo as negociações iniciadas por [o presidente dos Estados Unidos] Donald Trump e [o presidente da Rússia Vladimir] Putin — negociações que saudamos e para as quais continuamos a expressar nossa disposição de prosseguir."

Apesar de enaltecer os esforços norte-americanos para que seja alcançada a paz no leste europeu, Lavrov afirmou entender que os Estados Unidos desejam que a Rússia seja uma questão da Europa para que a Casa Branca se concentre na China.

"Os Estados Unidos querem [...] transferir a responsabilidade principal de conter a Rússia para a Europa, para que possam se libertar em relação à China; eles não fazem segredo disso. Nesse sentido, estão tentando estimular não apenas discussões, mas também ações práticas para a criação de um bloco militar anti-Rússia previamente anunciado, com a participação da Ucrânia."

Lavrov também confirmou que o presidente Putin fará uma visita à China ainda no primeiro semestre de 2026.


Por Sputinik Brasil