MERCADO FINANCEIRO

Ouro fecha acima de US$ 4.800 com dólar em baixa e expectativa por negociações de paz

Desvalorização do dólar e avanço em negociações entre EUA e Irã impulsionam alta do ouro e da prata em Nova York.

Publicado em 14/04/2026 às 14:48
Barra de Ouro Reprodução

Os preços do ouro encerraram em alta nesta terça-feira, 14, superando a marca de US$ 4.800 por onça-troy. O movimento foi impulsionado pela desvalorização do dólar americano e pela cotação do petróleo abaixo de US$ 100 o barril, em um ambiente de maior apetite por risco, alimentado pela expectativa de retomada das negociações de paz entre Estados Unidos e Irã ainda nesta semana.

Na Comex, divisão de metais da Bolsa de Nova York (Nymex), o ouro para entrega em junho registrou valorização de 1,73%, fechando a US$ 4.850,10 por onça-troy. Durante a sessão, os contratos futuros chegaram à máxima de US$ 4.867,70. Já a prata para maio avançou 5,11%, encerrando a US$ 79,53 por onça-troy.

O índice do dólar americano, que mede o desempenho da moeda frente a uma cesta de principais divisas, recuava 0,3%, atingindo 98,07 pontos por volta das 14h30 (horário de Brasília).

De acordo com o The New York Post, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou em entrevista nesta quarta-feira que as negociações com o Irã "podem ocorrer nos próximos dois dias" no Paquistão. "Algo pode acontecer nos próximos dois dias, e estamos mais inclinados a ir para lá", declarou. Na véspera, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, destacou que os EUA mudaram "constantemente" suas exigências durante as conversas do fim de semana em Islamabad, mas reconheceu avanços nos diálogos. Também na terça-feira, 13, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, mencionou progressos nas negociações.

"O ouro agora é uma questão de defesa cambial", analisam especialistas da TD Securities. "Historicamente, a percepção de derrota dos EUA incentivou aliados a buscar ativos mais seguros, enquanto a sensação de vitória completa pode ser necessária, de forma assimétrica, para dissuadir esse comportamento", escreveram.

Segundo a TD Securities, "a batalha por Ormuz agora se concentra na defesa da moeda". Para a instituição, o estágio atual do conflito, voltado à proteção cambial, é desfavorável ao ouro, enquanto prevalecer a percepção de vitória dos EUA. Isso porque as nações tendem a priorizar importações de energia e a estabilização econômica e cambial, em vez de diversificar reservas.