SEGURANÇA PÚBLICA

Paulo Dantas troca comando da Polícia Civil

Thales Araújo assume o cargo no lugar de Gustavo Xavier, apontado por delatores como suposto líder de esquema que fraudou concursos como o "Enem dos Concursos"

Publicado em 14/04/2026 às 14:00
Arquivo

O Diário Oficial do Estado de Alagoas publicou, nesta segunda-feira (13), a nomeação do delegado Thales Silva Araújo como o novo delegado-geral da Polícia Civil.

A decisão, assinada pelo governador Paulo Dantas, ocorre após o agora ex-chefe da instituição, Gustavo Xavier, ser implicado em investigações da Polícia Federal (PF).

Thales Araújo, que ingressou na corporação em 2014 e é graduado em Direito pela Universidade Federal do Espírito Santo, ocupava até então a chefia da Diretoria de Inteligência Policial (Dinpol). Ele assume a missão de comandar a PC-AL em um momento de forte desgaste institucional.

O esquema: de Alagoas ao CNU

A substituição é um desdobramento direto da Operação Concorrência Simulada. Segundo as investigações da PF, Gustavo Xavier é suspeito de liderar uma organização criminosa especializada em fraudar concursos públicos em Alagoas, Pernambuco e Paraíba.

O nome do delegado surgiu em delações premiadas de dois integrantes do grupo, que o descreveram como a "figura central" da quadrilha. Entre os certames supostamente corrompidos pelo esquema está o Concurso Nacional Unificado (CNU), apelidado de "Enem dos Concursos". De acordo com os depoimentos, até mesmo a esposa de Xavier teria sido beneficiada pelas fraudes.

Coação e controle da organização

Os trechos das delações aos quais a reportagem teve acesso revelam métodos agressivos para manter o controle do esquema. Um dos suspeitos afirmou que Xavier teria utilizado outro policial civil como "preposto" para coagir líderes da quadrilha a operarem sob seu comando.

"Gustavo Xavier do Nascimento passou a ter poder de comando na ORCRIM quando, mediante ameaça, fez com que Thyago José cometesse fraude em benefício de seus aliados", aponta um trecho do documento que baseia o inquérito policial.

As investigações prosseguem para identificar outros possíveis servidores envolvidos e a extensão total dos danos causados pela organização aos concursos públicos na região Nordeste.