TENSÃO DIPLOMÁTICA

'Jesus não escuta quem faz guerra' e 'Não tenho medo': Papa eleva críticas a Trump

Pontífice condena escalada de violência e reforça apelo por paz, enquanto presidente dos EUA reage com críticas

Publicado em 14/04/2026 às 13:30
Papa Leão XIV © ANSA/AFP

Uma recente troca de declarações entre o Papa Leão XIV e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, marcou uma mudança significativa no tom do diálogo indireto entre o Vaticano e a Casa Branca, em meio ao aumento das transferências internacionais envolvendo o Irã.

No último fim de semana, o pontífice fez uma de suas manifestações mais contundentes sobre o conflito, criticando o que classificou como "ilusão de onipotência" que estaria alimentando a escalada de violência entre Estados Unidos e Israel contra o Irã.

Em sua mensagem, o Leão XIV reforçou um apelo direto aos líderes políticos para que interrompessem as hostilidades e buscassem negociações de paz. Fiel à sua tradição pastoral, o papa já havia afirmado anteriormente que "Jesus não escuta quem faz guerra" , ressaltando que a violência é incompatível com a prática da fé e da oração.

“Jesus não escuta as orações daqueles que fazem guerras, mas as rejeitadas, dizendo: Ainda que fazem muitas orações, não ouvirei: as vossas mãos estão cheias de sangue”, declarou o pontífice.

A resposta de Trump veio em tom crítico, afirmando que o papa estaria “errado” em suas declarações sobre a política externa americana. O presidente também acusou o pontífice de adotar posições “fracas” em relação ao combate ao crime e outras questões de segurança.

Após as declarações do presidente, ao falar com jornalistas a bordo do avião papal, a caminho da Argélia na sua primeira visita ao continente africano, Leão XIV voltou a comentar o caso.

“Eu não sou um político”, afirmou o papa. "Não tenho intenção de debater. A mensagem é a mesma: promover a paz". Ele destacou ainda que suas falas não devem ser interpretadas como posicionamentos políticos, mas como parte da missão religiosa da Igreja. “Colocar minha mensagem no mesmo patamar do que o presidente tentou fazer aqui é não compreender qual é a mensagem do Evangelho”, afirmou.

O pontífice declarou ainda não temer o governo Trump e reiterou que seguirá com o que considera ser sua missão espiritual.

Do lado da Casa Branca, Trump também fez qualquer pedido de desculpas e manteve o tom crítico, afirmando não haver “nada pelo que se desculpar”. Ele reiterou sua posição de que a política americana em relação ao Irã é necessária para impedir o avanço de um programa nuclear no país.

Além dos comentários, o republicano publicou, horas após criticar o pontífice, uma imagem que ampliou a repercussão do episódio. Como ilustração, Trump aparece com uma túnica branca e um manto vermelho em uma cena de forte simbolismo religioso.

Ele toca a testa de um homem deitado em uma cama hospitalar enquanto emana luzes de suas mãos, em um gesto associado à cura. A imagem foi publicada sem comentários e, posteriormente, o presidente negou qualquer intenção de se equiparar a figuras religiosas.