ELEIÇÕES 2026

Lula afirma ter compromisso moral de impedir retorno de 'fascistas' ao governo

Presidente condiciona candidatura à defesa da democracia e diz que não permitirá retrocesso autoritário no Brasil

Publicado em 14/04/2026 às 11:43
Lula defende compromisso moral contra retorno de forças autoritárias nas eleições de 2026. © Foto / Ricardo Stuckert / Palácio do Planalto

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que uma eventual candidatura à Presidência em 2026 não depende apenas de sua vontade pessoal, mas do contexto político e do cenário eleitoral. Em entrevista à TV 247, em parceria com a Revista Fórum e o DCM, Lula vinculou sua decisão à defesa da democracia e ao risco de retorno do extremismo ao poder.

Lula ressaltou que sua atuação está pautada por um compromisso histórico e moral. Segundo ele, "não se trata de querer um quarto mandato. As circunstâncias políticas e o momento eleitoral que você vive decidem", destacando que sua trajetória e o legado de seus governos pesam na avaliação sobre 2026.

O presidente afirmou ainda que impedir retrocessos é parte de sua responsabilidade política. "É um compromisso moral, ético – e eu diria, até cristão – não permitir que os fascistas voltem a governar este país", declarou, associando sua eventual candidatura à proteção das instituições democráticas.

Ao revisitar a história recente, Lula destacou o alto custo da redemocratização. Ele afirmou que "democracia, para quem lutou para defendê-la, para derrubar o regime militar, custou muito caro a muita gente", citando avanços e rupturas desde a eleição de Tancredo Neves até o impeachment de Dilma Rousseff, que classificou como golpe.

Lula mencionou diferentes ciclos políticos, de Collor a Fernando Henrique Cardoso, passando por seus próprios mandatos, para argumentar que a democracia brasileira ainda é frágil. Ele afirmou que, após sucessos e retrocessos, o país não pode permitir novo avanço de forças autoritárias.

O presidente também declarou estar preparado para seguir atuando politicamente. "Me sinto fisicamente muito bem, politicamente muito bem. Estou com a saúde muito bem-preparada e motivado", afirmou, acrescentando que seu compromisso é com o país e com a população.

Durante a entrevista, Lula comentou ainda a relação com o mercado financeiro — um ponto frequente de tensão com sua visão sobre política econômica. Ele afirmou que "o mercado sempre vai querer outro candidato", argumentando que interesses econômicos tendem a divergir das políticas de inclusão social defendidas por seu governo.

Lula disse que sua atuação é guiada pelo cotidiano das famílias brasileiras. "Se tem uma coisa que eu aprendi na vida é saber o sentimento do povo brasileiro", declarou, citando o aumento das despesas domésticas e criticando gastos com apostas online, que classificou como prejudiciais à população.

Ele também anunciou que o governo prepara novas medidas para enfrentar o endividamento após o Desenrola, e defendeu ação firme contra irregularidades no setor de apostas. Segundo Lula, é necessário combater a lavagem de dinheiro em diferentes frentes para enfrentar o crime organizado.

Por Sputnik Brasil