CURIOSIDADE ESPACIAL

Jornada da Nasa pelo lado oculto da Lua coincide em duração com clássico do Pink Floyd

Tempo de travessia da nave Órion pelo lado oculto da Lua foi praticamente igual ao álbum 'The Dark Side of the Moon', lançado em 1973.

Publicado em 14/04/2026 às 10:45
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A nave Órion, da Nasa, levou pouco mais de 40 minutos para atravessar o chamado “lado oculto da Lua”, período em que a comunicação com a Terra foi completamente interrompida. Curiosamente, esse é praticamente o mesmo tempo de duração do álbum 'The Dark Side of the Moon' (O lado escuro da Lua), da banda emprestada britânica Pink Floyd, lançado em 1973.

Foram os fãs do grupo que perceberam coincidências e movimentaram as redes sociais com postagens e teorias, algumas de fontes duvidosas.

De acordo com o site da Agência Espacial Americana (Nasa), a travessia do Órion durou entre 42 e 45 minutos – o que, na mídia, corresponde exatamente aos 43 minutos e 30 segundos do álbum do Pink Floyd, um padrão para LPs da época.

Embora seja apenas uma encomenda, o fato chamou a atenção dos admiradores da banda. Pedir a muitos à Nasa, nas redes sociais, que divulgassem todas as imagens da travessia para que pudessem assistir sincronizado com o famoso disco.

A Lua ea cultura pop

Entre meados da década de 1960 e início dos anos 1970, auge do programa Apollo, a Lua tornou-se parte fundamental da cultura pop. Em 1965, Frank Sinatra lançava "Fly Me to the Moon", eternizada no Brasil no dueto com Tom Jobim.

Em 1969, David Bowie lançou "Space Oddity", sucesso que coincidiu com a chegada do homem à Lua e apresentou ao mundo o icônico personagem Major Tom. Já em 1973, foi uma vez o Pink Floyd lançar 'The Dark Side of the Moon', considerado um dos álbuns mais vendidos da história e que permanece no ranking da Billboard dos 200 mais ouvidos. O The Police também entrou na onda lunar com "Walking on the Moon", em 1979.

O lado pouco conhecido do cérebro

Como explicam críticas musicais, 'The Dark Side of the Moon' não é exatamente um disco sobre a Lua, mas utiliza a metáfora espacial como fio condutor. Trata-se de um álbum conceitual, sem divisões claras entre as faixas, focado no processo de enlouquecimento de Syd Barrett, guitarrista e vocalista fundador do Pink Floyd. O LP chegou a ter como subtítulo "uma peça musical para todo tipo de lunático".

"O 'Dark Side of the Moon' é, na verdade, o lado pouco conhecido do cérebro; um desabafo de Roger Waters sobre a situação de Syd Barrett, que teve o cérebro afetado pelo uso excessivo de drogas", explica o jornalista e crítico musical Sérgio Martins, do Estadão.

O jornalista Bernardo Araújo concorda: "A principal motivação do álbum é a loucura de Syd Barrett, membro fundador do Pink Floyd, que gravou apenas um disco e acabou se perdendo, no sentido mais triste da palavra."

"Assim, o lado escuro da Lua representa essa parte do cérebro que não conseguiu alcançar ou dominar – algo belo, mas também muito triste; um mundo distinto em que vivemos", completa Araújo.

Sincronicidades com O Mágico de Oz

Bernardo Araújo lembra ainda que não é a primeira vez que os fãs do Pink Floyd apontam coincidências relacionadas ao álbum. A mais famosa delas associa o disco ao filme "O Mágico de Oz", de Victor Fleming (1939).

“A teoria conspiratória mais conhecida é a de que o álbum teria sido inspirado em ‘O Mágico de Oz’, devido às sincronicidades entre as músicas e cenas do filme”, confirma Martins. "É fascinante perceber como uma obra de arte pode ultrapassar os limites musicais e alcançar outras esferas da cultura."