ECONOMIA INTERNACIONAL

Choque provocado por Trump com guerra no Irã afeta petróleo e fertilizantes, aponta FGV/Icomex

Relatório do Icomex destaca incertezas no comércio global e impacto imediato nos mercados de energia e insumos agrícolas.

Publicado em 14/04/2026 às 09:05
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O presidente norte-americano Donald Trump provocou “um novo choque” ao deflagrar a guerra no Irã, impactando principalmente, no curto prazo, os mercados de petróleo e fertilizantes. A análise é do relatório do Indicador de Comércio Exterior (Icomex), divulgado nesta terça-feira, 14, pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), que ressalta o aumento das incertezas no cenário internacional diante de anúncios de trégua e de intensificação das tensões no Médio.

De acordo com o Icomex, “o não cumprimento das regras do direito internacional, disposições pelas instituições multilaterais torna cada vez mais imprevisível e incerto o cenário internacional, que passa a ter efeitos em toda a agenda das relações econômicas internacionais” .

O relatório ressalta ainda que, embora a incerteza seja uma marca da política de Trump, seus reflexos nem sempre são esperados pelo presidente dos Estados Unidos.

“Em artigo recente, Richard Baldwin argumenta que Trump não destruiu o sistema mundial de comércio, pois predominou o seu comportamento de avanços e recuos, que ficou popularizado como TACO (Trump Always Chickens Out). Esse comportamento acabou por estimular a procura por novos mercados e parceiros, mais do que um aumento tarifário. O parceiro dos Estados Unidos passou a ser 'não confiável', o que para os negócios afastados das transações”, destaca o relatório da FGV. “As decisões de comércio exigem um horizonte de regras resultados positivos, e a procura por novos mercados pelas empresas brasileiras poderá consolidar nova configuração na geografia do comércio para certos setores/empresas.”

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 6,4 bilhões em março de 2026, ante US$ 7,7 bilhões em março de 2025. No acumulado de 2026, o superávit brasileiro alcançou US$ 14,2 bilhões, superior aos US$ 9,6 bilhões do mesmo período do ano anterior.

O relatório aponta ainda que, na comparação entre o primeiro trimestre de 2025 e 2026, a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras caiu de 12,5% para 9,5%, enquanto a da China subiu de 25,5% para 29,0%. “Se um dos objetivos da política comercial de Trump é diminuir a presença da China na América Latina, a tarifaço produziu o resultado oposto”, ressalta a FGV.

Nas trocas comerciais com a China, o Brasil passou de um superávit de US$ 580 milhões no primeiro trimestre de 2025 para US$ 5,98 bilhões no mesmo período de 2026. Já com os Estados Unidos, o déficit aumentou de US$ 750 milhões para US$ 1,39 bilhão.