ECONOMIA GLOBAL

Guerra no Oriente Médio eleva preços do petróleo e pressiona indústria brasileira

Conflito no Irã e bloqueio no estreito de Ormuz agravam custos de insumos e afetam setores produtivos no Brasil

Publicado em 14/04/2026 às 07:01
Guerra no Oriente Médio eleva custos do petróleo e impacta indústrias brasileiras de insumos. © flickr.com / Carsten ten Brink

A recente alta nos preços do petróleo desencadeou uma ocorrência em cadeia que encarece insumos industriais e pressiona diversos setores produtivos no Brasil. O agravamento da guerra no Oriente Médio afeta diretamente cadeias que dependem de resultados do petróleo, ampliando custos e incertezas para a indústria nacional.

Enquanto Estados Unidos e Israel não chegam a um acordo para encerrar o conflito com o Irã, o bloqueio do Estreito de Ormuz persiste, e o aumento dos preços do petróleo já impacta diferentes cadeias produtivas.

Segundo reportagem do G1, um dos efeitos imediatos é sentido pela indústria brasileira de velas, que depende da importação de parafina da China. Como o petróleo precisa chegar primeiro às refinarias chinesas, os atrasos provocados pelo conflito no Irã reduziram drasticamente o volume disponível para exportação. O resultado são entregas menores e imprevisíveis.

O proprietário de uma fábrica relatou que, antes, conseguiu comprar 15 toneladas de parafina; agora, recebe apenas cinco, sem garantia de ajuste. O depósito, antes cheio, está quase vazio — e o pouco material disponível ficou muito mais caro. Em março, o aumento chegou a 40%.

Com a matéria-prima escassa e mais cara, o impacto chega ao consumidor final. Ainda segundo a reportagem, a fábrica enfrentará dificuldades para manter a produção e preservar os empregos, enquanto lida com a instabilidade do mercado e a incerteza sobre os próximos meses.

O encarecimento da parafina reflete uma especificidade mais ampla: por ser um derivado direto do petróleo, seu preço acompanha a alta do barril. O mesmo ocorre com outros insumos essenciais, como plásticos para embalagens, canos usados ​​na construção civil, autopeças e até silos agrícolas — todos dependentes de implicações petroquímicas.

Na indústria têxtil, o impacto também é sentido. Fibras sintéticas como poliéster e nylon ficaram mais caras, levando uma malharia em São Paulo a estocar fios suficientes para quatro meses de produção. A estratégia evitou o desabastecimento, mas não impediu o aumento dos custos, parte dos quais foi repassada aos clientes.

Mesmo com preços reajustados, as encomendas cresceram nas últimas semanas, impulsionadas por confeções que enfrentam atrasos na importação de tecidos.

Com fretes mais caros e escassos, muitas empresas recorrem a fornecedores nacionais para garantir a continuidade da produção — reflexo direto das turbulências globais provocadas pela guerra e pela alta do petróleo, conclui a reportagem.

Por Sputnik Brasil