DECISÃO JUDICIAL NOS EUA

Justiça rejeita ação de Trump que pedia US$ 10 bilhões por reportagem sobre ligação com Epstein

Tribunal federal nega processo bilionário de Trump contra Wall Street Journal e Murdoch, mas permite nova petição.

Publicado em 13/04/2026 às 21:11
O presidente Donald Trump AP/Mark Schiefelbein

A Justiça Federal dos Estados Unidos rejeitou, nesta segunda-feira (13), a ação por difamação de US$ 10 bilhões movida pelo ex-presidente Donald Trump contra o Wall Street Journal e Rupert Murdoch. O processo contestava uma reportagem que abordava supostas ligações de Trump com Jeffrey Epstein.

Procurada, a Casa Branca não se manifestou sobre a decisão. Já um porta-voz da Dow Jones, responsável pela publicação do Journal, declarou que a organização está "satisfeita" com o resultado, ressaltando: "Apoiamos a confiabilidade, o rigor e a precisão das reportagens do The Wall Street Journal".

O juiz federal Darrin P. Gayles, da Flórida, afirmou que Trump não conseguiu demonstrar que o artigo foi publicado com intenção maliciosa. No entanto, concedeu ao ex-presidente a possibilidade de apresentar uma nova petição, caso deseje corrigir os pontos levantados pela Justiça.

Em publicação nas redes sociais, horas após a decisão, Trump afirmou que a medida "não é um encerramento", mas uma "sugestão de reapresentação" de seu "caso forte". Ele disse que pretende protocolar a nova ação até 27 de abril.

O processo foi aberto em julho, após Trump prometer processar o jornal devido à reportagem que reacendeu discussões sobre sua relação com Epstein. O artigo mencionava uma carta de conotação sexual, supostamente assinada por Trump, incluída em um álbum de 2003 para o aniversário de 50 anos de Epstein.

Posteriormente, a carta foi divulgada pelo Congresso, que solicitou à administração do espólio de Epstein a apresentação dos documentos. Trump negou ter escrito a carta e classificou a reportagem como "falsa, maliciosa e difamatória".

Os advogados do Journal e de Murdoch solicitaram que o juiz considerasse as afirmações do artigo como verdadeiras, o que impediria alegações de difamação. No entanto, o juiz Gayles ponderou que "se o presidente Trump foi o autor da carta ou se era amigo de Epstein são questões de fato que não podem ser determinadas nesta fase do litígio".

A decisão representa mais um revés para Trump em sua tentativa de conter as repercussões da divulgação dos arquivos de Epstein e limita os esforços do ex-presidente de usar o Judiciário para contestar reportagens que considera críticas.