TENSÃO DIPLOMÁTICA

Irã acusa EUA de mudar exigências e travar acordo em negociações

Teerã aponta mudanças constantes nas demandas americanas e denuncia restrições à navegação no Estreito de Ormuz como 'pirataria'.

Publicado em 13/04/2026 às 14:00
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O governo do Irã acusou os Estados Unidos de alterar "constantemente" suas exigências durante as negociações realizadas no fim da semana em Islamabad, o que teria impedido o fechamento de um acordo. Teerã também classificou como "pirataria" as restrições impostas por Washington à navegação no Estreito de Ormuz.

Em conversa telefônica nesta segunda-feira (13) com o chanceler francês Jean-Noel Barrot, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o país participou das tratativas com “boa-fé”, apesar da “absoluta desconfiança” em relação aos EUA. Segundo Araghchi, houve avanços em vários temas, mas a “postura excessiva” e as mudanças frequentes nas exigências americanas travaram o entendimento.

Barrot reiterou o apoio da França a uma solução diplomática e expressou esperança de que a continuidade do diálogo leve a um acordo final. Araghchi também discutiu o cenário regional e as negociações em ligação com o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi, sem que detalhes sobre essa conversa fossem divulgados.

No âmbito institucional, Jalil Mokhtar, membro do comitê de energia do Parlamento iraniano, declarou que um projeto de lei sobre a segurança do Estreito de Ormuz pode alterar as regras de trânsito na região. De acordo com a agência Iran International, citando Mokhtar, a proposta prevê redefinir a passagem pela via, incluindo cobrança de pedágios em rials iranianos para serviços de pilotagem e segurança, além do uso de moedas como o yuan chinês e criptomoedas em transações de energia. A medida sinaliza o "enfraquecimento da dominância financeira dos EUA" e um movimento de desdolarização.

Paralelamente, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, na sigla em inglês) aumentou o volume contra Washington. Em comunicado, o grupo afirmou que as restrições americanas à navegação em águas internacionais são ilegais e configuram "pirataria". O IRGC também declarou que embarcações ligadas a “inimigos” não poderão transitar pelo Estreito de Ormuz.

“As Forças Armadas declaram que a segurança dos portos no Golfo Pérsico e no Mar de Omã é para todos – ou para ninguém”, disse um porta-voz do IRGC, salientando que ameaças à segurança iraniana terão resposta e que nenhum porto da região estaria seguro nesse contexto.