Forças Armadas dos EUA impõem bloqueio total a embarcações no Golfo de Omã e Mar Arábico
Medida atinge toda a costa do Irã e restringe o tráfego marítimo, com exceção de remessas humanitárias. Decisão agrava tensões na região.
As Forças Armadas dos Estados Unidos anunciaram um bloqueio total no Golfo de Omã e no Mar Arábico, a leste do Estreito de Ormuz, aplicável a todas as embarcações, independentemente da bandeira. A informação foi revelada em um documento obtido pela agência Reuters nesta segunda-feira, 13.
De acordo com comunicado do Comando Central dos EUA, a restrição entra em vigor às 11h (horário de Brasília) e determina que qualquer embarcação que tente entrar ou sair da área bloqueada sem autorização estará sujeita à interceptação, desvio e apreensão.
O bloqueio, segundo o documento, não impede o trânsito de embarcações neutras pelo Estreito de Ormuz, desde que com origem ou destino em países que não sejam o Irã. A medida cobre toda a costa iraniana, incluindo portos e terminais petrolíferos.
O comunicado prevê exceções para remessas de caráter humanitário, como alimentos, medicamentos e outros suprimentos essenciais, que poderão circular mediante inspeção.
Contexto de tensão regional
O anúncio ocorre em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio. O governo iraniano ameaçou retaliar portos de países vizinhos do Golfo após fracasso nas negociações para encerrar o conflito, elevando o risco de colapso do cessar-fogo.
Impactos do bloqueio
A decisão dos EUA representa uma mudança significativa de postura. Até então, mesmo com ataques ao Irã, autoridades americanas permitiam o fluxo de petróleo iraniano para evitar pressão sobre os preços globais da energia.
No mês passado, Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA, afirmou que petroleiros iranianos estavam sendo autorizados a atravessar o estreito para garantir o abastecimento mundial. Os EUA também suspenderam temporariamente sanções ao petróleo iraniano, permitindo sua venda para a maioria dos países, inclusive os próprios Estados Unidos, por um período de um mês.
Analistas econômicos avaliam que o objetivo da medida é enfraquecer o controle do Irã sobre o estreito. Robin J. Brooks, pesquisador sênior da Brookings Institution, destacou que a dependência iraniana das exportações de petróleo pode limitar a capacidade do país de retaliar, pois sua economia seria fortemente afetada. "Um bloqueio colapsa o modelo de negócios do Irã", comentou Brooks nas redes sociais.
Apesar da pressão, autoridades iranianas demonstram confiança. O presidente do Parlamento iraniano e principal negociador do país, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou nas redes sociais: "Aproveitem os preços atuais da gasolina. Com o tal bloqueio, logo vocês sentirão falta da gasolina a US$ 4 ou US$ 5".
(Com agências internacionais)