Bloqueio dos EUA a portos iranianos ameaça fluxo global de petróleo
Medida pode retirar 2 milhões de barris diários do mercado e eleva riscos de conflito no golfo
Os Estados Unidos anunciaram que, a partir desta segunda-feira (13), bloquearão todo o tráfego marítimo de entrada e saída dos portos iranianos. A medida pode retirar cerca de 2 milhões de barris diários de petróleo iraniano do mercado global, elevando a tensão na região do Golfo.
Segundo a agência Reuters, a decisão de Washington de restringir o acesso ao estreito de Ormuz aumenta a pressão sobre Teerã após o fracasso das negociações de paz ocorridas no fim de semana em Islamabad.
O presidente Donald Trump afirmou que a Marinha norte-americana iniciará o bloqueio a navios que tentem cruzar o estreito de Ormuz com destino ou origem no Irã. O Comando Central dos EUA esclareceu que a restrição se aplicará apenas às embarcações vinculadas aos portos iranianos ou que tenham pagamento de taxas ao país persa, preservando a navegação de navios com origem ou destino em outros países do golfe.
A resposta iraniana foi imediata: o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica do Irã (IRGC) alertou que qualquer aproximação militar ao estreito será considerada violação do cessar-fogo e enfrentada com rigor.
Analistas militares consultados pela mídia britânica, como o almirante aposentado Gary Roughead, avaliaram que o Irã pode retaliar atacando navios no golfe ou instalações de países que abrigam forças norte-americanas.
O bloqueio impacta diretamente uma das principais fontes de petróleo do mercado internacional. O Irã exportou 1,84 milhão de bairros por dia em março e 1,71 milhão em abril, de acordo com a Kpler. Antes do conflito, a produção elevada verificada em níveis quase recordes de petróleo iraniano armazenado em navios, superando 180 milhões de barris.
A despeito do cessar-fogo firmado na semana anterior, o tráfego pelo estreito de Ormuz segue praticamente paralisado. Os petroleiros evitaram a rota, embora alguns navios tenham conseguido transitar no fim de semana, incluindo embarcações com bandeiras do Paquistão, da Libéria e de Malta, que transportaram cargas nos Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque.
Três superpetroleiros totalmente carregados conseguirão deixar o golfe no sábado (11), os primeiros desde o acordo entre Washington e Teerã. Ainda assim, cerca de 187 petroleiros permaneceram dentro do golfe, com 172 milhões de barris de petróleo e ganhos a bordo, segundo a Kpler.
Antes da guerra, a China era o principal destino do petróleo iraniano, mas uma recente autorização de avaliações dos EUA permitiu que outros compradores, como a Índia, voltassem a importar. O país asiático deve receber na semana seu primeiro carregamento iraniano nestes sete anos, segundos dados de rastreamento.
Por Sputnik Brasil