ECONOMIA GLOBAL

China mira avanço do yuan com perda de confiança no dólar, aponta ex-chefe do Banco Central chinês

Zhou Xiaochuan, ex-presidente do Banco Central da China, afirma que cenário atual favorece internacionalização do yuan diante da perda de credibilidade do dólar.

Publicado em 13/04/2026 às 05:31
Ex-presidente do BC chinês destaca oportunidade para internacionalização do yuan diante da perda de confiança no dólar. © Sputnik / Nina Zotina

Zhou Xiaochuan, ex-presidente do Banco Central da China, afirmou que Pequim enxerga uma "janela de ouro" para ampliar o uso global do yuan, em meio à perda de credibilidade do dólar causada por decisões políticas dos Estados Unidos.

Segundo o South China Morning Post, Zhou, figura central na estratégia de internacionalização da moeda chinesa, destacou que a atual desconfiança global em relação ao dólar abriu uma oportunidade inédita para a China expandir a presença internacional do yuan.

De acordo com Zhou, mudanças no sistema monetário não são espontâneas, mas resultado direto das escolhas políticas dos EUA, especialmente o uso do dólar como instrumento de pressão econômica.

O ex-chefe do BC chinês afirmou à mídia asiática que tarifas comerciais impostas por Washington, o uso recorrente do dólar em sanções e tensões geopolíticas sucessivas têm corroído a credibilidade da moeda norte-americana. Esse cenário, segundo ele, cria condições favoráveis para que o renminbi avance como alternativa parcial no comércio e nas finanças globais.

Ao mesmo tempo, o yuan enfrenta pressão de valorização devido ao retorno de capitais para a China, o que, na avaliação de Zhou, reforça a oportunidade para ampliar sua presença internacional. Durante o Fórum de Moedas de Xangai, ele defendeu que o momento exige ação estratégica e gradual, aproveitando o impulso favorável.

Zhou lembrou que, durante seu mandato entre 2002 e 2018, lançou as bases da globalização do yuan ao permitir seu uso em liquidações comerciais transfronteiriças a partir de 2009. Agora, busca refutar argumentos de que o superávit comercial chinês seria um obstáculo, defendendo que o país pode fornecer yuan ao exterior por meio de contas de capital e empréstimos internacionais.

Ele também rejeitou a ideia de que a China precise replicar a emissão massiva de dívida dos Estados Unidos para fortalecer sua moeda. Para Zhou, a demanda real por moedas de reserva é muito menor do que o volume total de títulos do Tesouro americano, embora reconheça que a oferta de ativos seguros, líquidos e conversíveis ainda é um ponto frágil para o yuan.

Zhou reconheceu que uma alternativa robusta ao dólar não surgirá no curto prazo, dado o ritmo ainda limitado de internacionalização do yuan. Ainda assim, defendeu que a China avance com reformas e abertura financeira de forma constante, para que o papel internacional da moeda reflita o peso econômico do país.

Entre as medidas necessárias, Zhou citou ampliar a usabilidade e a conversibilidade do yuan, evitar regulações excessivas, fortalecer a infraestrutura financeira transfronteiriça e consolidar centros financeiros como Xangai.

Por Sputinik Brasil