EXPLORAÇÃO ESPACIAL

Missão Artemis 2 estabelece novo recorde de distância da Terra

Missão tripulada da Nasa supera marca da Apollo 13 e avança exploração lunar

Publicado em 06/04/2026 às 20:56
Astronautas da Artemis 2 superam marca histórica e avançam exploração lunar tripulada.

Os quatro astronautas da missão Artemis 2, da Nasa, alcançaram nesta segunda-feira o ponto mais distante do espaço já visitado por seres humanos. A bordo da cápsula Orion, a equipe segue em trajetória gravitacional rumo à Lua, preparando-se para um raro sobrevoo tripulado sobre o lado oculto do satélite natural.

Após partirem da Flórida na semana passada, os tripulantes iniciaram o sexto dia de missão ao receberem uma mensagem gravada do lendário astronauta Jim Lovell, que participou das missões Apollo 8 e Apollo 13. "Bem-vindos à minha antiga vizinhança", disse Lovell, falecido no ano passado aos 97 anos. "É um dia histórico, e sei que vocês estarão muito ocupados, mas não se esqueçam de apreciar a vista... boa sorte e sucesso."

Nesta segunda, a Artemis 2 superou o recorde de 248 mil milhas (quase 400 mil km) de distância da Terra, estabelecido pela Apollo 13 em 1970. Na ocasião, a tripulação de Lovell precisou usar a gravidade lunar para retornar em segurança após uma falha grave na espaçonave.

A equipe atual, composta pelos astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen, ultrapassou a marca histórica e deve atingir 252.755 milhas – 4.117 milhas (6.626 km) além do recorde anterior – durante o sobrevoo.

Nomeando crateras

Durante a missão, os astronautas dedicaram parte do tempo a sugerir nomes provisórios para formações lunares sem designação oficial. Jeremy Hansen propôs batizar uma cratera de Integrity (Integridade), em homenagem ao nome da cápsula Orion, e outra de Carroll, em memória da falecida esposa do comandante Wiseman. "É um ponto brilhante na Lua, e gostaríamos de chamá-lo de Carroll", afirmou Hansen, emocionado.

Se tudo transcorrer conforme o planejado, a Orion contornará o lado mais distante da Lua, sobrevoando-a a cerca de 4 mil milhas acima da superfície escura, enquanto a Terra, vista ao longe, parecerá do tamanho de uma bola de basquete.

Como a Lua mantém sempre o mesmo lado voltado para a Terra, poucos seres humanos – apenas tripulantes das missões Apollo – já observaram diretamente o lado oculto do satélite.

Esse momento marca o ápice da Artemis 2, o primeiro voo tripulado do novo programa lunar da Nasa, que sucede ao projeto Apollo e representa a primeira viagem de seres humanos às proximidades da Lua em mais de 50 anos.

Fotos raras e detalhadas

O programa Artemis, que prevê missões multibilionárias, pretende levar astronautas de volta à superfície lunar até 2028, antes da China, e estabelecer uma presença duradoura dos EUA, com a construção de uma base que servirá de teste para futuras viagens a Marte.

Desde 1972, na missão Apollo 17, nenhum humano caminhou na Lua.

O sobrevoo desta segunda-feira levará a tripulação a zonas de sombra e a breves períodos sem comunicação, quando a Lua bloquear o contato com a rede global de antenas da Nasa.

Nesse período de seis horas, os astronautas usarão câmeras profissionais para registrar imagens detalhadas da superfície lunar, capturando a luz solar filtrada nas bordas do satélite e proporcionando perspectivas cientificamente valiosas.

Os tripulantes também poderão registrar o raro momento em que a Terra, vista à distância recorde, surge e desaparece no horizonte lunar, criando um espetáculo celeste inédito.

Uma equipe de cientistas no Centro Espacial Johnson, em Houston, acompanhará em tempo real as descrições dos fenômenos lunares feitas pelos astronautas, enriquecendo o conhecimento sobre o satélite natural.

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