Reajuste nos combustíveis pode forçar alta dos juros, avalia MB Associados
Sérgio Vale, economista-chefe da MB, aponta que cenário internacional pressiona inflação e pode impactar decisões do Banco Central.
Com a sinalização do Irã de que, por ora, não pretende encerrar a guerra, e diante da possibilidade de a subvenção aos combustíveis não ser suficiente, a Petrobras pode ser obrigada a repassar parte do aumento dos preços. Esse cenário deve levar o Banco Central a lidar com uma inflação acima do previsto, segundo avaliação do economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale.
“As expectativas de inflação seguem em alta para este e o próximo ano. O Banco Central pode ter que responder a isso elevando os juros; essa possibilidade está longe de ser descartada”, afirma Vale. “Já começamos a perceber repasses nos preços do diesel, gasolina e querosene de aviação, refletindo essa pressão inflacionária.”
O economista destaca ainda que haverá aumento da inflação de serviços em abril, especialmente no setor de transporte aéreo, em função do diesel. “Teremos um cenário de inflação pressionada em março e abril, o que eleva a projeção anual e coloca o Banco Central numa situação bastante delicada”, aponta.
Vale observa que há grande chance de o BC não apenas interromper o ciclo de cortes da taxa Selic em abril, mas até considerar um aumento. “Tudo depende dos desdobramentos da guerra, que, até o momento, não apresenta sinais claros de encerramento. Seguimos diante de um cenário de conflito ativo”, ressalta.
O economista também chama atenção para o impacto global dos preços elevados do petróleo. “Essa conjuntura impõe desafios não só ao Banco Central brasileiro, mas também aos bancos centrais de outros países. A inflação europeia já acelera, e o mesmo deve ocorrer nos EUA. Isso aumenta a necessidade de revisão da política monetária e eleva de forma contínua a probabilidade de alta dos juros”, completa.
Segundo Vale, o Irã se beneficia do conflito, com o aumento do valor das exportações de petróleo. “O Irã está ganhando muito dinheiro com a guerra, então não há motivo para recuar. Os EUA, mesmo sendo produtores, também sofrem com o aumento do preço dos combustíveis. Os dois lados cometem equívocos e o mundo todo acaba arcando com as consequências”, conclui Vale.