Chef denuncia loja no Rio por discriminação contra judeus; federação israelita notifica empresa
Delicatessen no Leblon é acusada de intolerância após recusar vender produtos judaicos. Fierj toma medidas legais e empresa nega discriminação.
Uma delicatessen localizada no bairro do Leblon, na zona sul do Rio de Janeiro, foi acusada de intolerância religiosa após a chef Monique Benoliel relatar um episódio de discriminação durante atendimento no local.
De acordo com informações publicadas pela revista Veja, Monique questionou o proprietário da loja sobre a ausência de produtos típicos da tradição judaica, como o matzá (pão sem fermento). O comerciante teria respondido que o estabelecimento "não comprava mais produtos judaicos, que estava cansado dos judeus e que não venderia mais para esse público".
Em seguida, ao perguntar se deveria deixar de frequentar o local, Monique teria ouvido uma resposta afirmativa do proprietário.
A delicatessen Delly Gil divulgou nota negando qualquer prática de desrespeito ou preconceito. "Se alguma fala ou situação foi interpretada de maneira inadequada, pedimos desculpas. Não é essa a forma como conduzimos nossa relação com clientes ao longo de todos esses anos", afirmou. O estabelecimento destacou ainda ser uma empresa familiar, com histórico de convivência com diferentes públicos, incluindo a comunidade judaica, e se colocou à disposição para o diálogo.
Federação israelita aciona justiça
Em nota, a Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (Fierj) informou que já adotou medidas legais e notificou a loja para esclarecimentos. "Nossa Procuradoria está acompanhando o caso de perto, atuando na elaboração dos documentos necessários e prestando total apoio às vítimas, inclusive no acompanhamento das medidas cabíveis", declarou a entidade.
Procurada para saber se houve registro de boletim de ocorrência, a Polícia Civil do Rio de Janeiro não respondeu até o momento.
Outro caso de discriminação em bar no Rio
No fim de semana, outro episódio envolvendo discriminação repercutiu na capital. O Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon-RJ) multou um bar na região da Lapa, no centro, após o estabelecimento exibir um cartaz com a frase: "cidadãos dos EUA e de Israel não são bem-vindos".
O bar Partisan foi penalizado em R$ 9.520 pela prática considerada discriminatória. O aviso foi colocado em meio à guerra envolvendo os dois países e o Irã. Em nota, o Partisan Bar afirmou que recebe pessoas de todas as nacionalidades e negou qualquer prática de discriminação.
O estabelecimento declarou que não houve recusa de entrada com base em origem ou religião, e que a placa tinha caráter político, como forma de protesto contra ações do Estado de Israel no conflito no Oriente Médio. O bar informou ainda que pretende recorrer da multa e iniciou campanha de arrecadação para custear a defesa e promover eventos sobre o tema.
Legislação brasileira prevê punição
A legislação brasileira proíbe condutas discriminatórias. A Lei nº 7.716/1989, que trata dos crimes de racismo, prevê punição para quem impedir o acesso ou recusar atendimento em estabelecimento comercial por motivo de procedência nacional, com pena que pode chegar a três anos de prisão.