SISTEMA FINANCEIRO

Diretor do Banco Central defende Pix e rebate críticas: "Quem fala mal tem outros interesses"

Paulo Picchetti afirma que críticas ao Pix não refletem os interesses da população e destaca avanços em ativos digitais durante seminário no Rio.

Publicado em 06/04/2026 às 17:27
Paulo Picchetti Reprodução

O diretor de Política Econômica, Assuntos Internacionais e Gestão de Riscos Corporativos do Banco Central, Paulo Picchetti, afirmou nesta segunda-feira (6) que críticas ao Pix partem de interesses que não representam a população brasileira. A declaração foi dada em resposta a ataques ao sistema de pagamentos, incluindo críticas recentes do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após participação no XII Seminário Anual de Política Monetária, promovido pelo Centro de Estudos Monetários do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), no Rio de Janeiro.

Durante palestra no evento, Picchetti detalhou o trabalho do Banco Central na regulação de ativos virtuais e stablecoins, ressaltando que três resoluções foram aprovadas em novembro do ano passado.

"Por exemplo, você cobra IOF agora sobre remessas com os stablecoins da mesma forma que você cobra IOF de remessas de câmbio pelos canais convencionais", explicou Picchetti.

As novas normas estipulam prazo até outubro para que empresas do setor se adaptem, abrangendo tanto as que já operam quanto as que pretendem ingressar no mercado.

"Eu acho que o mercado de ativos virtuais, primeiro, já é uma realidade. Segundo, a natureza dos stablecoins é ter confiabilidade. A questão é como eles vão coexistir com meios de pagamento tradicionais, com todo o arcabouço do sistema financeiro já existente. Isso está em avaliação. Muita gente achava que o bitcoin seria uma revolução imediata, mas hoje ele é mais objeto de curiosidade ou especulação do que realidade. Ninguém paga café ou compra carro com bitcoin", avaliou o diretor.

Sobre o desenvolvimento do Drex, plataforma do Banco Central para transações financeiras seguras com ativos digitais, Picchetti reconheceu que o processo não é linear e envolve desafios tecnológicos globais. "Estamos estudando isso, junto com todo o novo arcabouço de funcionamento, como serão criados os contratos inteligentes. Já concluímos uma fase piloto e iniciamos outra", destacou.

Ele acrescentou: "Pode haver um avanço tecnológico que resolva questões pendentes e torne o Drex viável em breve. Ou pode nunca ser possível. É difícil prever. O grande desafio é conciliar privacidade com escalabilidade, algo ainda sem solução no mundo. Se o Drex repetir o sucesso do Pix, serão milhões de transações diárias e o sistema precisa funcionar com a mesma eficiência".