MERCADO INTERNACIONAL

Petróleo fecha em alta após ameaças de Trump ao Irã e incertezas sobre cessar-fogo

Tensões geopolíticas no Oriente Médio e ataques entre Irã, EUA e Israel impulsionam preços do petróleo nos mercados internacionais.

Publicado em 06/04/2026 às 16:22
Kenny Holston/The New York Times via AP, Pool

O preço do petróleo encerrou o pregão desta segunda-feira, 6, em alta, refletindo a intensificação das ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Irã. O cenário reduziu as expectativas de um acordo de cessar-fogo no Oriente Médio, ampliando as incertezas no mercado internacional após o feriado prolongado de Páscoa.

Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril do petróleo WTI para maio subiu 0,77% (US$ 0,87), fechando cotado a US$ 112,41. Já o Brent para junho avançou 0,68% (US$ 0,74), encerrando o dia a US$ 109,77 na Intercontinental Exchange de Londres (ICE).

Durante a manhã, o petróleo chegou a operar em baixa após o site Axios informar que Irã e Estados Unidos receberam, no fim da noite de domingo, uma minuta de proposta prevendo cessar-fogo de 45 dias e a reabertura do Estreito de Ormuz.

Em seguida, o Irã negou a reabertura do trecho estratégico e declarou ter enviado novas exigências aos EUA. Segundo a mídia estatal iraniana, Teerã defende o fim permanente da guerra.

A commodity energética ganhou força ao longo do dia, especialmente após Trump afirmar, à tarde, que pode atacar o Irã na terça-feira e "derrotá-lo em apenas uma noite". O presidente norte-americano acrescentou que as negociações com o regime iraniano "estão indo bem", mas evitou comentar sobre um possível cessar-fogo.

Para Lloyd Chan, analista do MUFG, a tendência é de preços elevados, com riscos de novas altas diante das ameaças persistentes à infraestrutura crítica iraniana. "A persistência de ameaças à infraestrutura crítica iraniana mantém elevados os riscos de escalada, sem que haja à vista um caminho crível de redução das tensões", avalia.

Apesar das negociações, os confrontos entre EUA, Israel e Irã continuaram. Israel atacou nesta segunda-feira uma usina petroquímica no campo de gás natural de South Pars, no Irã, além do complexo petroquímico de Marvdasht. O Irã retaliou com bombardeios em Haifa, Tel Aviv e outros pontos de Israel, além de ofensivas contra países vizinhos no Golfo Pérsico.

Outro fator de pressão sobre a oferta foi o ataque de drones ucranianos ao principal porto russo no Mar Negro para exportação de petróleo, ocorrido também nesta segunda-feira.